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Reflexão
Pensando no texto atribuído a W.S., vejo que é a mais pura verdade. Uma grande decepção pode minar relacionamentos, assim como os pequenos e reiterados deslizes podem fazê-lo, da mesma forma. Um afastamento pode causar o medo da reaproximação e um aconchego pode trazer, inesperadamente, alguém para bem perto... O ser humano, em regra, se comporta dessa maneira. É bom estarmos atentos, investindo nas pessoas por quem sentimos amor. Vale a pena!
Beijos para todos! Um super final de semana! Afinal, hoje é sexta-feira, 13 de agosto. Transformem-na num dia de sorte!!!!
Escrito por Chris às 11h06
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Esse é demais!!!
COMO SE MEDE UMA PESSOA
(William Shakespeare)
Os tamanhos variam conforme o grau de desenvolvimento. Ela é grande pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e seu sorriso é destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa honestamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade. Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto. Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês. Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: "será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?" Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho."
Escrito por Chris às 10h50
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FANTASMA
Para onde vais, assim calado,
de olhos hirtos, quieto e deitado,
as mãos imóveis de cada lado ?
Tua longa barca desliza
por não sei que onda, límpida e lisa,
se, leme, sem vela, sem brisa...
Passas por mim na órbita imensa
de uma secreta indiferença,
que qualquer pergunta dispensa.
Desapareces do lado oposto,
e, então, com súbito desgosto,
vejo que o teu rosto é o meu rosto,
e que vais levando contigo,
pelo silencioso perigo
dessa tua navegação,
minha voz na tua garganta,
e tanta cinza, tanta, tanta,
de mim, sobre o teu coração !
Cecília Meireles
Escrito por Chris às 10h45
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Um pouco de Drummond
CORREIO DE AMIGOS É DOÇURA
A Joaquim-Francisco Coelho, para informá-lo
de um carinhoso silêncio.
O correio de amigos é doçura
que eu cultivo de forma negativa.
As cartas vão chegando, e uma festiva
sensação de amizade mais se apura.
Mais eis que, ao responder, a tentativa
de exprimir esse gosto se afigura
empenho vão, pois que toda a finura
do sentimento escapa à letra viva.
Joaquim-Francisco, ideal correspondente
que ao belo Van de Velde acrescentaste
a mensagem postal mais excelente,
perdoa a quem confessa (pois não mente):
o que a pena emudece por desgaste
no coração floresce plenamente.
Drummond
Escrito por Chris às 10h43
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Mais poesia...
Certas Coisas
Certas coisas
Não se podem deixar para depois.
Muitos poemas perdi
Pensando: "depois escrevo",
"agora estou almoçando"
ou "consertando a porta".
Assim, adiei-perdi
O melhor ? de mim.
Certas coisas
Não se podem deixar para depois,
E nisto incluo: frutos no galho,
Mudanças sociais,
Certas coxas e bocas
E esta manhã que se esvai.
Certas coisas
Não se podem deixar para depois.
O amor não se adia
Como se adiam os impostos, a viagem, a utopia.
O desejo sabe o que quer,
Detesta burocracia.
Feito depois, o amor
É murcha lembrança
Do que, não-sendo, seria.
Certas coisas
Não se podem deixar para depois.
Como o amor e as pessoas, não se pode recuperar
AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA
Escrito por Chris às 10h42
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CECÍLIA MEIRELES
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
Escrito por Chris às 16h11
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ANA C
"MARFIM A moça desceu os degraus com o robe monogramado no peito: L. M. sobre o coração. Vamos iniciar outra Correspondência, ela propõe. Você já amou alguém verdadeiramente? Os limites do romance realista. Os caminhos do conhecer. A imitação da rosa. As aparências desenganam. Estou desenganada. Não reconheço você, que é tão quieta, nessa história. Liga amanhã outra vez sem falta. Não posso interromper o trabalho agora. Gente falando por todos os lados. Palavra que não mexe mais no barril de pólvora plantado sobre a torre de marfim."
"Não está morrendo, doçura Assim como eu te disse: daqui a dez anos estarei de volta. Certeza de que um dia nos reencontramos. Doçura, não está morrendo,
Barca engalanada adernando, Mas fixa: doçura, não afoga."
"ATRÁS DOS OLHOS DAS MENINAS SÉRIAS Mas poderei dizer-vos que elas ousam? Ou vão, Por injunções muito mais sérias, lustrar pecados que jamais repousam?"
"Frente a frente, derramando enfim todas as palavras, dizemos, com os olhos, do silêncio que não é mudez. E não toma medo desta alta compadecida passional, desta Crueldade intensa de santa que te toma as duas mãos.
ANA CRISTINA CESAR A Teus Pés - 1982
Escrito por Chris às 16h10
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Poesias
"Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera."
DISRITIMIA
Os velhos cospem sem nenhuma destreza
e os velocípedes atrapalham o trânsito do passeio,
O poeta obscuro aguarda a crítica
e lê seus versos, as três vezes por dia,
feito um monge com seu livro de horas.
A escova ficou velha e não penteia.
Neste exato momento o que interessa
são os cabelos desembaraçados.
Entre as pernas geramos e sobre isso
se falará até o fim sem que muitos entendam:
erótico é a alma.
Se quiser, ponho agora a ária na quarta corda,
pra me sentir clemente e apaziguada.
O que entendo de Deus é a sua ira,
não tenho outra maneira de dizer.
As bolas contra a parede me desgostam,
mas os meninos riem satisfeitos.
Tarde como a de hoje, vi centenas.
Não sinto angústia, só uma espera ansiosa.
Alguma coisa vai acontecer.
Não existe o destino.
Quem é premente é Deus.
Adélia Prado
Escrito por Chris às 16h06
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Saudades das férias de julho...

Escrito por Chris às 16h02
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11/08/2004 - Dia do Advogado
Perguntaram a minha filha mais velha, no colégio, o que a mãe dela fazia. Ela respondeu: "-Minha mãe é contadora de histórias!" Às vezes até eu mesma perco de vista a minha profissão. Acho que sou bacharéu em Direito, no exercío de um cargo público, dividida entre a missão social de lidar com as leis e a minha missão pessoal que é a literatura. Criança é sensível...
Hoje ligou para a minha casa, de Brasília, alguém que queria falar com o Dr. André Luiz (ele presta consultoria para um escritório de lá). Larissa atendeu, disse que ele estava no banho e veio me perguntar:"-Meu pai é doutor?" Tive que explicar essa história de advogado ser chamado de doutor... Aliás, no Brasil a qualificação de doutor, exceto para algumas profissões, é dada para qualquer um que tenha dinheiro. Não é necessário sequer o curso superior.
Escrito por Chris às 18h52
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Notícias
Comprei minha máquina digital. Estou adorando brincar com ela e bater mil fotos da Larissa e da Rafaela. Até dei um tempo no blog e nas leituras. É bom poder diversificar um pouco as atividadades.
Ah, os comentários feitos ao blog e ao fotoblog já foram normalizados.
Gostaria, entretanto, de registrar o meu apreço pelo escritor Rogério Andrade Barbosa, autor de vários livros com contos da África, lugar onde lessionou por vários anos, após a independência de Guiné Bissau. Sua palestra na UFF, semana passada, foi 10!!!
Escrito por Chris às 22h16
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Ai, que saco! Os comentários para o blog e para o fotoblog não estão aparecendo.
Escrito por Chris às 15h06
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Máquina fotográfica digital
Estou pensando seriamente em adquirir uma máquina digital... Isso facilitaria a postagem de fotos no fotoblog.
Estou com muito, muito sono... Assisti Dogville ontem à noite. O filme deixou-me cansada, agitada e pensativa...

Escrito por Chris às 11h03
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PARA QUEM CURTE FOTOGRAFIA
PARA QUEM CURTE FOTOGRAFIA , segue uma parte da crônica da Cora Rónai, publicada no Segundo Caderno do O Globo de 4/12/03, a respeito do que disse seu amigo, o fotógrafo angolano Silva Pinto.
Vale a pena, inclusive, conferir a íntegra, pela internet de "Há meninos brancos em Angola".
"Sabes, eu não exploro a miséria, seria até muito fácil para mim fazê-lo, nem a tristeza, eu não invento a dor nem o sofrimento, eu não fabrico poses nem sorrisos, eu não fabrico imagens chocantes pelo simples prazer de incomodar. Por uma questão de princípios e de respeito próprios, e pelos outros que fotografo, eu só capturo o que me toca, nada do que fotografo é falso ou artificial, tudo o que vês nas minhas fotos existe, é palpável, é natural, é verificável.
Vem ver ou pergunta a quem já viu, como é que é um céu da minha terra, um pôr-do-sol da minha terra. Quem sabe eles se lembrem e te digam que é… simplesmente magnífico. Se quiseres, os ajustamentos que faço às minhas fotos no computador são os mesmos que, há uns anos atrás, se faziam no ampliador, quando se escolhiam os tempos de exposição, fabricavam máscaras para proteger zonas e queimar mais outras, se utilizavam determinados reveladores e emulsões para se obterem determinados resultados. Se já fizeste cópias de contacto, tiras de teste, escolheste filmes e papéis em função de efeitos que queres criar, deves saber do que estou a falar. Os meus azuis são mesmo azuis, as minhas cores são mesmo cores. Não as altero, não as modifico, não as fabrico, estão aí para quem as quiser apanhar.
Agora, sejamos realistas, e deixemo-nos de falsos purismos. A fotografia é uma arte, é emoção, mas também é técnica. Ou por acaso supões que os grandes fotógrafos não usam filtros, não polarizam os céus, não ajustam contrastes? Se calhar, eles não o fazem, mas tem quem faça por eles…"
Escrito por Chris às 18h42
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Outros Olhos
No fundo de cada cabeça devem existir outros olhos, uns olhos que enxergam para dentro, e provavelmente são eles que vêem as imaginações, as reminiscências, os sonhos, as idéias, as doidices que a gente pensa.
Enquanto os olhos que olham para fora se limitam a contemplar o que está na frente deles, esses tais olhos de dentro ora vêem o que querem, ora o que a gente quer ver.
Às vezes eles são obedientes. Outras são muito teimosos. Quase sempre são criativos. De vez em quando são tão sensíveis. São imprevisíveis, os olhos de dentro.
Em caso de necessidade, são capazes de reproduzir fielmente imagens que os de fora já viram, o que é chamado vulgarmente de lembrança, fenômeno fácil de ser compreendido.
É feito foto, filme, computador. Deve estar tudo registrado em alguma parte da memória.
O mais difícil de entender é como eles conseguem inventar coisas que os olhos de fora nunca viram:
Acontecimentos que não aconteceram.
Momentos que jamais passaram.
Situações completamente estapafúrdias.
Condições imaginárias.
Suposições.
Tragédias.
Finais felizes.
Sinais.
Hipóteses.
Subterfúgios.
Absurdos.
Desejos.
Aquilo que não existe, ou que não é visível, ou que ainda não foi descoberto, o que já foi embora, tudo o que está no brejo, o que está sempre no escuro, soterrado, escondido, após, por trás, o microscópio, a conjectura, o que foi arrancado, o que não foi aberto.
Brincar com os olhos de dentro pode ser engraçado.
É só imaginar o que quiser, por mais maluco que seja, e podem acontecer laranjas azuis – sóis sem luz – duas luas no céu – uma tartaruga veloz – uma fuga, um refúgio, um lugar – outro valor para "Pi" – paz aqui no planeta – cometas, estrelas cadentes, beijos noturnos, mil e uma viagens – paisagens à vontade do freguês – um Saturno sem anéis, uma ilha encantada, uma cidade tranqüila, uma casinha na floresta – festa de chuva no sertão – um patrão mão-aberta (ou qualquer outra pessoa inventada).
Quem manda nos olhos de dentro?
Será um Deus?
Um Louco?
Um desenhista?
Um escritor?
Um diretor de cinema?
Será o desejo da gente?
Há quem diga que é o inconsciente.
Há quem pense que é por acaso.
Eu não sei o que pensar.
Mando meus olhos de dentro pensarem sozinhos e lá se vão eles inventando caminhos.
Deixo o agora para trás.
Olho só para o depois.
Encontro o farol.
Sofro uma alucinação?
Tanto faz.
Faço uma poesia, então, e imagino um país.
Vejo a gente feliz num dia de sol.
Tem hora que o melhor que se pode fazer é ver a coisas com outros olhos.
Adriana Falcão (O doido da garrafa)
Escrito por Chris às 18h41
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MAIS DICAS:
"BICHOS QUE EXISTEM & BICHOS QUE NÃO EXISTEM" – Arthur Netrovski com ilustrações da Maria Eugênia. (Prêmio Jabuti). O livro é um infantil que trata de figuras mitológicas, reais e folclóricas, de forma lúdica, divertida. Assemelha-se ao "O Livros dos Seres Imaginários" do Jorge Luis Borges
que além desses seres, fala de criaturas inventadas por autores como Edgar Allan Poe, Kafka e C.S. Lewis.
Tanto o infantil como o adulto enriquecem a literatura e valem a pena. Leiam e aproveitem!
Escrito por Chris às 18h39
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DICAS LITERÁRIAS INFANTIS DA KRITZ
A Flauta Mágica – Adaptação de Ruth Rocha, para a criançada se iniciar no fascinante mundo da ópera. "Nele estão presentes todas as artes: a literatura, a dança, as artes plásticas, a dramaturgia, a cenografia, e música, muita música!"
Opinião da mãe: adorei e, inclusive, compreendi melhor a própria ópera. Li o livro ao som do Mozart (cd com algumas árias) para minha filha de 4 anos e ela ouviu pacientemente todo o texto, já que, apesar de bem ilustrado, não tem tantas figuras, pois se destina a um público um pouco mais velho... Ainda assim, prendeu a atenção da menina, ou seja, é bom demais!
Manifestação da criança: interesse, até porque já havia assistido, há cerca de dois meses, o primeiro ato da ópera em DVD, ou seja, conhecia alguns personagens e gostou muito da famosa ária da Rainha da Noite (fundo musical da Cuca no Sítio do Picapau Amarelo) e daquela em que a flauta é tocada pelo Papageno.
Fez o seguinte comentário: - Mamãe, eu sou a Pamina (princesa) e minha irmã a Papagena.
Foram lançados também com adaptação da Ruth Rocha: O Barbeiro de Sevilha, Carmen e O guarani, pela Editora Callis.
Gostaria de registrar nesse espaço a minha admiração pela série "As Fronteiras do Universo", uma obra juvenil, ganhadora de prêmios literários, cujo autor, Philip Pulmann, proferiu a seguinte frase: "depois de comida, teto e companhia, não há nada que o homem deseje tanto quanto histórias". Concordo em parte com ele, pois considero uma pena o fato de nem todos os homens gostarem tanto de histórias... Se assim fosse, nosso mundo seria outro e melhor, acredito.
Escrito por Chris às 18h38
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DICAS E SUGESTÕES PARA FUTUROS POETAS
*** Ensino da poesia A PUC de Belo Horizonte convidou sete escritores (Luiz Vilela, Sérgio Sant’Anna, Marina Colasanti, Antonio Cicero, Humberto Werneck, Miguel Sanchez Neto e a mim) para darmos uma "oficina de literatura" durante todo o ano de 2003. Os alunos podem optar e articular os módulos das "oficinas" de acordo com sua conveniência. Quando se fala numa iniciativa como essa, a a primeira pergunta que surge é: "Mas pode-se ensinar alguém a ser escritor?". Resposta: "Pode-se ensinar uma série de técnicas, pode-se passar uma série de vivências, pode-se desenvolver o talento. Quanto ao mais, depende de cada um. Depende não só do talento inato, mas da perseverança e da neurose destrutiva ou construtiva de cada um". No caso da poesia, a questão é ainda mais singular. Embora todos digam "minha vida daria um romance" pouquíssimos se lançam à aventura de escrever um romance. Mas baseadas no ditado — "de médico, poeta e louco todos nós temos um pouco" — as pessoas, num determinado momento, sobretudo na juventude, devem ter composto um poema qualquer. Nada contra quem faça seus poemas para uso familiar, publicitário ou para se expressar. Contudo, quanto a se assumir como poeta, são necessários alguns cuidados e providências. A primeira é não apenas começar a ler bons poetas, mas inteirar-se que existe um sistema literário, com regras e leis, as quais temos que conhecer, nem que seja para contestá-las. Assim, é imprescindível saber como funciona o sistema de produção (edição, divulgação, direitos, políticas literárias, agente literário, prêmios, etc.) e ler livros que, expondo a experiência de autores, mapeiem o processo de criação. No caso da poesia, para começar, dois livros de Ezra Pound — "ABC da literatura" e "A arte da poesia". É autor didático e polêmico. Pode-se depois discordar dele em algumas coisas, como o fiz no ensaio "O que fazer de Ezra Pound?". Mas há que atravessá-lo primeiro. Leia também "Como fazer versos", de Maiakovski. Embora ele tivesse que dar satisfações políticas aos dirigentes da revolução comunista de 1917, há experiências pessoais interessantes. O compêndio "Vanguarda européia e modernismo brasileiros", organizado por Gilberto Mendonça Telles, é fundamental para que se tome conhecimento dos manifestos literários nos últimos cento e poucos anos. É imprescindível saber o que cada escola, época ou geração definia como sendo poesia. O ensaio de Edgar Allan Poe "Filosofia da composição" é importante para se ver como o autor explica racionalmente a elaboração de seu famoso poema "O corvo". Uma edição recente desse texto e do poema, com diversas traduções do mesmo, organizada por Ivo Barroso, retoma uma experiência que fizemos na revista "Poesia sempre". Ver como poetas traduzem diferentemente um poema, é uma aula de poesia. Algumas leituras iniciáticas são ainda necessárias: de Octávio Paz — "O arco e a lira" e "Signos em rotação". O poeta mexicano reinstala a poesia na história da cultura. Ler "Homo Ludens", de Huizinga, especialmente os capítulos "O jogo e a poesia" e "A função da forma poética". Procure os ensaios de T. S. Eliot, poeta que soube articular a tradição e a inovação. Evidentemente que sempre se lerá "Cartas a um jovem poeta", de Rilke, mas as cartas de Mário de Andrade, em geral, sobretudo as escritas a Fernando Sabino, "Cartas a um jovem escritor", são importantes. E nunca esquecer do despretensioso "Itinerário de Pasárgada", onde Manuel Bandeira faz algumas revelações sobre seu métier de poeta. E se quer saber de certos recursos e segredos estilísticos de Drummond, Cabral e outros, leia "Esfinge clara e outros enigmas", onde Othon M. Garcia exibe o que é uma análise estilística e temática. Colocaria aí até o "Pequeno dicionário de arte poética", de Geir Campos, uma maneira leve de tomar contato com técnicas intemporais. Lembro-me sempre de Manuel Bandeira me indagando quando, adolescente o fui visitar, se já havia feito algum soneto na vida. Era uma maneira de saber se a pessoa estava inteirada da tradição e de certas questões de técnica do verso. Diria que isto é uma pequeníssima cesta básica. Para começar. Não se deve confundir oficina literária com curso de teoria. Evidente que o aprendizado é interminável. Ainda agora estava relendo "The life of the poet", do ensaísta americano Lawrence Lipking, que desenvolve a tese que os poetas sempre retomam ou contestam o projeto de outros poetas, num processo edipiano de negação e auto-afirmação. Goethe rejeita Virgílio, Whitman rejeita Goethe e Virgílio, Mallarmé reverencia Poe, etc. A história da poesia é um tocante e tenso diálogo entre poetas de épocas diversas além de um mágico diálogo com o público. Por isto é necessário assenhorar-se do que já foi feito. E nisto há um mistério. Mistério que Rubem Braga muito bem surpreendeu na crônica "O mistério da poesia". Dizia que não sabia porque tinham ficado na sua cabeça os versos de um poeta, que ele julgava ser boliviano, mas, na verdade, era o colombiano Aurélio Arturo . Volta e meia, quando estava aborrecido ou viajando, surgia esse murmúrio dentro dele: "Trabajar era bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos". E ele pôs-se a indagar qual o mistério dessas palavras tão simples que o alimentavam. Experimentou invertê-las, mudar o tempo verbal, tirar uma, botar outra, mas nenhuma forma lhe pareceu tão tocante quanto essa. E anotou: "Talvez o que impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia". E terminando ele a sua crônica e eu a minha, uso as palavras do cronista-poeta, que me dispensam de certos comentários: "Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas modernos que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem mais profundas…". Afonso Romano de Santana JB - Rio, 31 de Maio de 2003 ***
Escrito por Chris às 18h36
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CONSELHOS DE UM VELHO APAIXONADO
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta:
pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino:O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e,em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa:
você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo:
é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam amor passar, sem deixa-lo acontecer
verdadeiramente. É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O AMOR !!!
Escrito por Chris às 18h36
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Texto retirado do blog da amiga Sabine da UFF (Especialização em Literatura Infanto-Juvenil). Vale a pena conferir! O endereço está indicado entre os meus favoritos: http://eloprimitivo.blogspot.com
Afeto
"Só em momentos de afeto avassalador, emergem à superfície fragmentos ou imagens. O sintoma inevitável que acompanha tal fenômeno é o da identificação momentânea do eu com essas manifestações, que são renegadas logo depois. É fabuloso o que se pode dizer movido pelo afeto. Mas todos sabem com que facilidade essas coisas são esquecidas e renegadas... o hábito de interromper o fluxo do inconsciente, corrigi-lo ou criticá-lo reforçou-se pela tradição e pelo medo que se tem de admitir diante dos outros ou de si mesmo a angústia mobilizada pelas verdades insidiosas, compreensões arriscadas e constatações desagradáveis: o receio, enfim, de tudo o que faz o homem fugir de si mesmo como de um flagelo..."
O Eu e o inconsciente, C.G. Jung, ed. Vozes, página 78.
Escrito por Chris às 18h35
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SEDUÇÃO
A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.
Adélia Prado
Escrito por Chris às 18h34
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Bom final-de-semana, amigos! Aguardo visitas!
Estou ansiosa por uma cerveja gelada e pelas salsichas alemães do Empório Icaraí... É hoje!
Escrito por Chris às 18h32
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Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, quando o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ....
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,embora não declare e não os procure.E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis o equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu,tremulamente,construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, daquele prazer .
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os. "
(Vinícius de Moraes )
Escrito por Chris às 14h56
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TENTEI IMPORTAR AS MENSAGENS DO MEU ENDEREÇO ANTERIOR MAS NÃO CONSEGUI. SE DER CERTO, COLOCAREI AQUI. CASO CONTRÁRIO, PODERÃO ENCONTRAR MUITAS COISAS INTERESSANTES NO http://kritz.blig.com.br
VALE A PENA CONFERIR!!!
Escrito por Chris às 11h50
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DICA DE LEITURA
"As Brasas - Sándor Márai" (Companhia das Letras)
"A linguagem simbólica do inconsciente... pois os homens recorrem a uma linguagem simbólica para comunicar seus pensamentos, você nunca percebeu? Quando falam das coisas essenciais parece que usam uma língua estrangeira, que falam como os chineses, e é preciso traduzir essa língua para trazê-la ao plano da realidade. Os homens não sabem nada sobre si mesmos. Falam sempre dos seus desejos e camuflam obstinadamente seus pensamentos mais secretos. Se você aprender a reconhecer as mentiras dos homens, notará que dizem sempre coisas diferentes do que pensam e querem realmente. E então a vida se torna quase divertida. Depois, um dia você consegue entender a verdade:isso quer dizer que a velhice e a morte chegaram. Mas nessas alturas já não se sente dor."
Escrito por Chris às 17h31
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HOJE
Esta é a minha primeira mensagem. Preciso importar o que escrevi no blog anterior e colocar este para funcionar efetivamente.
Escrito por Chris às 15h02
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