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MÁRIO QUINTANA
A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira.
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida...
Quando se vê, passaram-se 50 anos! Agora, é tarde demais para ser
reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e
inútil das horas...
Seguraria o meu amor, que está muito à minha frente, e diria EU TE AMO...
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de
tempo.
Não deixe de ter alguém ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente... não voltará
mais."
Mário Quintana
Escrito por Chris às 16h34
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CARTAS DE AMOR
ANOTAÇÕES DE SABINE NOLASCO:
"O amor-paixão precisa se expressar, é uma força que necessita se manifestar, existe todo um código amoroso: estilo fragmentário, indeciso, suspensivo. É o refugo da boa comunicação. A carta de amor se inscreve sobre detritos. É o ouro escondido. Não importa o que é dito, é o pulso de algumas palavras que o outro vai ficar buscando nos escritos. É a materialização da espera, da expectativa, do amor-paixão. João Cabral de Melo Neto fala em palavras lâminas, palavras cirúrgicas.
Algumas palavras brilham num texto.
Lidar com contradições, às vezes, é insuportável esse amor-paixão. Quando, nesse estado de apaixonamento, diz-se: vá embora, te odeio, tudo acabou... na verdade está dizendo: morro por você.
. O amor para Graciliano Ramos é um espanto, é uma perturbação terrível. Ele é pego de surpresa. A exclamação é a embriaguez amorosa. É estar perdido num redemoinho de pensamentos, em certezas que se alternam a cada minuto, a cada tentativa de decifrar esses símbolos amorosos, é o inferno de Dante. É a metáfora da queda. Nos estudos de Platão, o amor está sempre ascendente. O amor é que proporciona ao homem se elevar a outros planos, a outras conquistas. O sujeito que ama está sempre falando para alguém que não ouve, porque o outro não consegue expressar o sentimento, é sempre insuficiente, jamais preenche às expectativas, não importa o quanto o outro se esforça, jamais será suficiente: é o silêncio do outro. Nada pode preencher essa carência e é por isso que não dura muito, segundo Graciliano Ramos, no máximo dois meses, porque ninguém é capaz de viver nessa aflição por muito tempo sem enlouquecer. A linguagem de expressão no amor-paixão é de curto-circuito. É o medo de perder o controle sobre si mesmo, o desconcerto. Algo está ameaçando as certezas dele. Ela ainda é um receptáculo fechado, um mistério para ele. Instabilidade dele. O sujeito que ama está sempre na dependência do outro ( mito de Andrógena ). O princípio feminino – nunca se revela totalmente. Graciliano diz: ‘Você é uma multidão.’ "
Trecho da carta de Graciliano para Heloisa:
"Tenho observado nestes últimos tempos um fenômeno estranho: as mulheres morreram. Creio que houve uma epidemia entre elas. Depois de dezembro foram desaparecendo, desaparecendo e agora não há mais nenhuma. Vejo, é verdade, pessoas vestidas de saia pelas ruas, mas tenho a certeza de que não são mulheres. Esta observação vai como resposta à censura que me fazes de viver a "pensar meninices". Quero ver se ainda vais me acusar depois de uma declaração tão importante. Morreram todas. E aí está explicada a razão porque tenho apego à única sobrevivente. A angústia acabou-se depois de tua penúltima carta. Sinto-me quase tranqüilo. E se a tranqüilidade não é completa, devo isso à desgraçada lembrança que tiveram de prender-me exatamente na véspera do dia em que ia abraçar minha idolatrada noiva..."
Escrito por Chris às 16h20
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CARPINEJAR
Ao andar contigo,
eu ria à toa,
a música já tinha nossa respiração.
Como uma cordilheira,
a tempestade sobrevoava
a esponja do verde,
sem derramar relâmpagos.
Ao andar contigo
eu me invejava.
Procurei entender os sinais
suspensos entre as colunas
e as fechaduras. Empenhei-me
em esclarecer os recados
apressados de socorro,
o tambor lacerado das paredes.
Decifrei o grafite dos banheiros
públicos, as inscrições puídas
no lenho, os volantes
recebidos no trânsito.
A vida com erros de ortografia
tem mais sentido
Ninguém ama com bons modos.
Fabrício Carpinejar
Escrito por Chris às 14h54
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