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A CIDADE E OS LIVROS
MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Fica em Boa Viagem. Disco voador
ele não é, pois não pusou na pedra
mas se ergue sobre ela; nem alça vôo:
à orla de cidades e florestas
suspende-se no ar feito pergunta
e o que tem dentro mergulha e se banha
no mundo em volta e o mundo em volta o inunda:
é o museu fora de si, de atalaia
à curva do abismo, à altura das musas,
sobre o mar, sobre a pedra sobre o mar,
e sobre o espelho d'água em que se apura
sobre essa pedra um mar a flutuar,
um céu na terra, quase nada, um aire,
a flor de concreto do Niemeyer.
ANTONIO CÍCERO
Quem não conhece o MAC e a Boa viagem não sabe o que está perdendo. O museu é 10! Caminhar pela orla, uma delícia, mas não há nada melhor que namorar nas redondezas...
Escrito por Chris às 10h23
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CAMILLE CLAUDEL
Ontem tivemos bate-papo e contação de histórias com a atriz Rossana Lourenço, do grupo "Laerte Vargas e as fiandeiras", durante a aula da Nanci Nóbrega. Foi 10! O assunto ultrapassou o ato de contar histórias e foi até a interpretação da atriz numa peça em que fez a personagem Camille Claudel.
Segue, então, um pouco da vida da escultora e "amante do Rodin", mulher que viveu nos extremos, e por isso tem o seu encanto como ser humano.
Uma imagem vívida dos ideais românticos
O Romantismo, nascido em fins do Século 18, não foi um estilo, foi mais uma atitude existencial e uma reação ante a ditadura racionalista imposta pelo chamado Século das Luzes.
Para os românticos, junto com o culto ao onipresente, se impõe os valores intrínsecos da subjetividade: a emoção, o sentimento e a imaginação.
Ao festival industrialista de sua época, se opuseram o culto à natureza – e o culto aos antigos deuses – e perfilaram, involuntariamente a chamada consciência desventurada. Ser infeliz era ser digno. Somente um indigno podia ser feliz ante um mundo que avançava em busca da própria perdição.
Nesse bloco de desventurados que se inclui a escultora Camille Claudel, irmã do poeta Paul Claudel, revelando a profundidade do romantismo sofrido, tanto em sua obra como em sua vida.
Amor da perdição
A artista, nascida em 1864, é mais conhecida por sua vida atribulada que por seu trabalho. Aos 19 anos, conhece Auguste Rodin, 24 anos mais velho que ela, escultor já consagrado, que se torna seu mestre e amante.
Um amor ardente e secreto se prolongará por dez anos, muito embora Rodin nunca abandonará sua primeira amante, Rose Beuret, com a qual finalmente se casará em 1917.
Camille vive certa efêmera fama, graças ao apoio de Rodin, expondo em salões e participando de tertúlias em casa de Mallarmé e de Jules Renard, admiradores de seu trabalho.
Quando Rodin retorna em definitivo e totalmente ao seu antigo amor, começa a tragédia de Camille, que se fecha em seu estúdio e se entrega a uma solidão obsessiva, caracterizada pela pobreza e pela ruína física e mental. Só sai às noites.
A dor do abandono
Sua vida está relacionada à de Rodin até 1898, ano em que se separaram. A partir de 1906, arremete contra sua obra, destruindo grande parte de sua produção, numa espécie de exorcismo, como uma forma de livrar-se daquilo que ainda a vinculava ao homem amado e com a obsessiva dor do abandono, gravado em uma de suas esculturas.
Rodin tenta ve-la, mas é rechaçado, transformando-se num inimigo perseguidor, dentro do delírio paranóico de Camille.
Em 10 de março de 1913, por ordem de sua mãe e de seu irmão, ela é internada em um asilo de loucos em Ville-Evrard e, um ano depois, transferida para o hospital psiquiátrico de Montdevergues, que lhe dará abrigo até sua morte, trinta anos depois.
O desprezo da família
Não se encerra aí a desdita de Camille. Sua mãe jamais irá visitá-la e rechaça, firmemente, o conselho dos médicos para levá-la de volta ao lar.
Seu irmão, Paul Claudel, além de próspero, fortalece-se politicamente, ao tornar-se embaixador da França. Não obstante, se nega, em 1933, a pagar-lhe uma pensão hospitalar. Nos 30 anos de internação, Paul a visita umas poucas vezes e nada faz para amenizar o sofrimento de Camille, apesar das cartas suplicantes que esta lhe envia, narrando as condições sub-humanas em que vive.
O fim sem glória
Rodin, por sua parte, envia-lhe algum dinheiro, expõe algumas das esculturas de Camille que sobreviveram à destruição, mas nada faz para liberá-la do hospital. De toda maneira, qualquer iniciativa sua seria obstada pela mãe de Camille, que o considera culpado pela ruína e loucura de sua filha.
Camille Claudel morre em sua prisão psiquiátrica em 1943, com a idade de 78 anos. Esquecida do mundo, morre sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum. . www.pitoresco.com/escultura/camille/camille.htm
Escrito por Chris às 12h16
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EVELINE HECKER
TEMPO SEM TEMPO
José Miguel W./Jorge Mautner
EVELINE HECKER
Vê se encontra um tempo
Pra me encontrar sem contratempo
Por algum tempo
O tempo dá voltas e curvas
O tempo tem revoltas absurdas
Ele não é ao mesmo tempo
Avenida das flores
E a ferida das dores
E só então
De sopetão
Entro e me adentro no tempo e no vento
E abarco e embarco no barco de Ísis e Osiris
Sou como a flecha do arco do arco-íris
Que despedaça as flores mais coloridas
Em mil fragmentos
Que passa e de graça distribui amores de cristais
Totais sexuais celestiais
Das feridas das queridas despedidas
De quem sentiu todos os momentos
Escrito por Chris às 08h34
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FANNY ABRAMOVICH
"Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo..."
Escrito por Chris às 08h23
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EVELINE HECKER
SAUDADE DA SAUDADE
(José Miguel Wisnik/Paulo Neves)
Não saber
O que será que foi que eu
Sonhei quando amanheceu
E quis cantar
Era o mar
Ou eram ondas de canções
Canções só feitas de canções
Outros azuis
Tantos sóis
Tão desgarrada luz no ar
E eu sem saber o que é o mar
O mar...
Mas, me diz o que é o amor
Me diz o que é o amor
Me explica por favor
O que me faz querer
Ser saudade de você
Saudade da saudade de você e eu
Você
E aquilo tudo de nós dois
Que vai se transformar depois
Não sei em que
Sim eu sei
O mundo será sempre assim
Um recomeço sem ter fim
Sem ter razão
Ouve então
Preciso te dizer que não
Preciso dizer que sigo só
Mas me diz o que é o amor
Me explica por favor
O que me faz querer
Ser saudade de você
Saudade da saudade de você e eu.
EVELINE HECKER
CD - Ponte Aérea
Escrito por Chris às 15h03
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OU ISTO OU AQUILO - CECÍLIA MEIRELES
Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Ou isto ou aquilo , Editora Nova Fronteira, 1990 - Rio de Janeiro, Brasil
SERIA MUITO BOM SE NA VIDA PUDÉSSEMOS TER, AO MENOS EM DETERMINADAS SITUAÇÕES, ISTO E AQUILO...
Escrito por Chris às 13h01
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FOTOBLOG
POSTEI NOVAS FOTOS NO FOTOBLOG E CORRIGI O DEFEITO NO LINK AO LADO. VISITEM MEU ESPAÇO DE IMAGENS!
Escrito por Chris às 12h52
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PAULO HENRIQUES BRITTO
O PRESTIDIGITADOR
ESTE PAPEL QUE SE OFERECE VIRGEM
AO BEL-PRAZER DA PENA E TINTA
É TODO TEU, SÓ TEU, COMO NÃO É
NEM NUNCA FOI, A TUA VIDA
A GOZOSA VERTIGEM DOS COMEÇOS -
ESSE FRIOZINHO NA BOCA DO ESTÕMAGO -
AQUI ENCONTRA LASTRO, AINDA QUE TÊNUE,
NA REALIDADE TÃO INCÔMODA.
E SE ESTA PÁGINA INAUGURAL
NEGAR-TE A FAÇANHA DE UM VERSO,
UM GESTO RÁPIDO HÁ DE RESTAURAR
A VIRGINDADE DO CADERNO.
AS VÉRTRBRAS FLEXÍVEIS DA ESPIRAL
NÃO VÃO GUARDAR NENHUM VESTÍGIO
(COMO FAZEM AS LOMBADAS TRAIÇOEIRAS)
DESTE PEQUENO INFANTICÍDIO.
SOMENTE A NOVA PÁGINA PRIMEIRA
TESTEMUNHOU A RECAÍDA.
TENTA OUTRA VEZ: ESTE PAPEL, ETC.
(RESTAM NOVENTA E NOVE AINDA.)
Escrito por Chris às 18h33
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A DUPLA EXISTÊNCIA DA VERDADE
PROSA DE FERNANDO PESSOA
"Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e o outro outra ou que um via um lado das coisas e o outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão.Fiquei confuso com essa dupla existência da verdade."
"Não há maior tragédia do que a igual intensidade, na mesma alma ou no mesmo homem, do sentimento intelectual e do sentimento moral. Para que um homem seja distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estúpido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral. Não sei que jogo ou ironia das coisas condena o homem à impossibilidade desta dualidade em grande. Por meu mal, ela dá-se em mim. Não foi o excesso de uma qualidade, mas o excesso de duas, que me matou para a vida."
O LIVRO DO DESASSOSSEGO:
"Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido do que havia de ser o texto; mas fica sempre uma dúvida, os sentidos possíveis são muitos."
Escrito por Chris às 11h40
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FERNANDO PESSOA
"QUANDO OLHO PARA MIM NÃO ME PERCEBO.
TENHO TANTO A MANIA DE SENTIR
QUE ME EXTRAVIO ÀS VEZES AO SAIR
DAS PRÓPRIAS SENSAÇÕES QUE EU RECEBO.
O AR QUE RESPIRO, ESTE LICOR QUE BEBO,
PERTENCEM AO MEU MODO DE EXISTIR,
E EU NUNCA SEI COMO HEI DE CONCLUIR
AS SENSAÇÕES QUE A MEU PESAR CONCEBO.
NEM NUNCA, PROPRIAMENTE REPAREI,
SE NA VERDADE SINTO O QUE SINTO. EU
SEREI TAL QUAL PAREÇO EM MIM? SEREI
TAL QUAL ME JULGO VERDADEIRAMENTE?
MESMO ANTE AS SENSAÇÕES SOU UM POUCO ATEU,
NEM SEI BEM SE SOU EU QUEM EM MIM SENTE."
Álvaro de Campos
Escrito por Chris às 11h36
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MARE ORIENTALE
1.
O que dizer?
Que teu cheiro continuaria em minhas mãos
Se não houvesse água e necessidade de tomar banho?
Que teu sorriso interminável continua na memória,
Resistindo contra o esquecimento resultante de lugares à meia-luz?
Nem insistirei em bater-me com tal limitação, pois nada
Do que dissesse alçaria vôo a ponto de superar lembranças:
Dias de chuva seguidos dum domingo luminoso, do cheiro
Da carne, sons sonhados nos ouvidos toda a noite.
A sensação de novamente descobrir um continente,
O riso para sempre perdido num canto de lábio.
Penas de pássaro em tua nuca, e pés, e covas.
Covas sobre a anca inesquecível.
Sem que nuncacabe.
Nuncacabe.
O que dizer?
2.
Na parte em que não te toca o sol
Te tocarei eu, enfim. Entrededos como
Fêmur em carne e remo n'água:
Rumo ao extremo de ti
Em busca de mim.
JOCA REINERS TERRON (Folha de São Paulo - Mais! - 2/05/04)
Escrito por Chris às 16h51
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FERNANDO PESSOA
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o sonho
E posso estar na realidade onde está o sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
Alberto Caeiro
Escrito por Chris às 09h18
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FERNANDO PESSOA
Agora que sinto amor
Tenho interesse nos perfumes.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.
Alberto Caeiro
Escrito por Chris às 09h14
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"Agora, Inês é morta" (origem)
História de Amor de Pedro e Inês 
No século XIV, D. Afonso IV, rei de Portugal, combinou o casamento de seu filho Pedro, herdeiro do trono de Portugal, com D. Constança, nobre senhora de Castela.
A entrada de D. Constança em Portugal fez-se no meio de grande comitiva de gente ilustre. Houve música, danças e poesia de trovadores. Na companhia da jovem princesa viera de Castela uma linda moça, dama de honor de linhagem fidalga, que se chamava Inês. Inês de Castro vivia na corte com D. Constança e D. Pedro, desfrutando os lazeres do dia a dia, a leitura, a música e as danças, a poesia trovadoresca. A sua elegância e beleza encantadora fizeram com que o príncipe D. Pedro reparasse nela e, em breve, o fogo do amor e da paixão se ateou no coração de Pedro. O encontro dos amantes tornava-se cada vez mais frequente.
D. Constança vivia cada dia mais angustiada e triste e acabou por falecer de parto. D. Pedro ficou livre para cair nos braços de Inês.
A força do amor era tão intensa que D. Pedro mandou vir Inês de Castro para Coimbra. D. Pedro e D. Inês passaram a habitar nos paços de Santa Clara, na margem esquerda do rio Mondego. Aqui nasceram e brincaram felizes os seus filhos, por entre a ternura dos pais, o verde das flores e o azul do céu.
Entretanto, em Lisboa, D. Fernando, filho de D. Pedro e D. Constança, ia sendo educado para um dia ser rei. O que aconteceria se D. Inês, fidalga castelhana, viesse a ser rainha? Era bem possível que um dos seus filhos viesse a ser rei de Portugal, ainda que fosse necessário matar o legítimo herdeiro do reino... Seria então fácil a nobreza castelhana tomar o poder e Portugal perder a independência.
No início de 1355, o príncipe D. Pedro não podia imaginar o que estava a ser tramado contra a sua bela Inês. Por isso, partiu para mais uma caçada por montes e florestas, com os seus amigos. No dia 7 de Janeiro, ao cair da noite, Inês de Castro foi surpreendida pela chegada do Rei e conselheiros. Rodeada dos seus 3 filhos, Inês implorou ao Rei que lhe poupasse a vida em consideração pelos seus netos. Apesar dos apelos lancinantes, quando o luar chegou, Inês estava morta.
Ao saber da notícia, D. Pedro enraivecido desafiou o rei. A rainha promoveu a paz. Mas, ao chegar ao trono, D. Pedro não esqueceu o ódio contra os assassinos que friamente mataram a sua Inês. Mandou procurá-los e, cruelmente, foram mortos: a um foi tirado o coração pelo peito, a outro pelas costas enquanto D. Pedro se banqueteava lautamente. No final, ainda D. Pedro teve coragem para trincar os dois corações.
Mandou construir no Mosteiro de Alcobaça 2 túmulos sumptuosos - um para ele e outro para Inês que, entretanto, mandara trasladar de Coimbra para Alcobaça num cortejo fúnebre seguido por uma multidão de populares, que choravam a desgraça de Inês, e por nobres e clérigos que foram obrigados a comparecer. Diz a lenda que D. Pedro fez coroar Inês de Castro rainha e obrigou a nobreza a beijar-lhe a mão, depois de morta.
Hoje, no Mosteiro de Alcobaça, repousam os restos mortais de Pedro e Inês que, na Idade Média, viveram um romance de amor e paixão.
Escrito por Chris às 09h07
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SEPARAÇÃO
SEPARAÇÃO É UMA PORTA ARROMBADA POR DENTRO.
Carpinejar
Escrito por Chris às 09h00
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CINDERELA DE SAIA JUSTA - CHRIS LINNARES, EDITORA GENTE
Terminei de ler "Cinderela de saia justa". Leitura agradável, divertida e que me deixou feliz por ver os contos de fadas sendo novamente discutidos, tendo cada um de seus trechos explorados, retirando-se deles experiências e conselhos para as nossas vidas. Engana-se quem pensa que o príncipe encantado caiu do céu para a Borralheira, ela precisou "correr atrás" para realizar seu sonho...
Há, também, uma matéria na última Revista Viver Mente & Cérebro sobre o tema. Muito interessante!
Escrito por Chris às 13h48
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MÁRCIA LISBOA - MONTEIRO LOBATO
Na sexta-feira, assisti na UFF a aula da Márcia Lisboa, cujo tema foi MONTEIRO LOBATO. A paixão da professora pelo escritor, a quem também amo, deixou-me em estado de total interesse e alegria. Senti vontade de pesquisar e talvez escrever minha monografia abordando um tema ligado ao Sítio do Picapau Amarelo. Não sei ainda por onde dar início ou que parte desse universo explorar, mas espero ansiosamente pelo próximo encontro com a encantadora Márcia. Quero mais Lobato!
Escrito por Chris às 13h38
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O LIVRO DOS ABRAÇOS
A UVA E O VINHO
Um homem dos vinhedos falou, em agonia, junto ao ouvido de Marcela. Antes de morrer, revelou a ela o segredo:
- A uva - sussurrou - é feita de vinho.
Marcela Pérez-Silva me contou isso, e eu pensei, talvez a gente seja as palavras que contam o que a gente é.
Eduardo Galeano, pág. 16, L&PM
Escrito por Chris às 13h27
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Carta de Mário de Andrade a Trasila de Amaral
São Paulo, 19 de dezembro de 1922
A Exma. Sra. Tarsila Amaral
Querida amiga,
..................................................................................................................................
Escrevo-lhe para lhe dizer que evoco de vez em quando sua imagem. É um prazer. Sinto-me tão feliz a seu lado. Essa felicidade que vem da confiança mútua. Nada de preocupações ou de dúvidas. Uma amizade muito grande, lindo oásis nesta vida de lutas, de ambições, invejas e ... segundas-intenções. Tarsila, você não imagina o bem que me faz. Sua passagem foi tão leve no meio de nós, não há dúvida, minha amiga. Mas... pense um pouco no destino dos sulcos das barcas no imenso mar. Segue uma barca sem rumo. Em torno tudo é mar oceano. E a barca faz um leve sulco nas águas movediças. O sulco desapareceu. Não se vê mais. Acabou. Acabaria? Não. Para destruírem o sulco as ondas empolaram-se e encheram-no. Mas se não existisse o sulco elas não teriam feito aquele esforço, não teriam tomado aquela forma. E as novas ondas que vêm depois, também não são modificadas no seu aspecto, por encontrarem as ondas, que encheram o sulco de forma determinada? E as outras ondas depois? E depois ainda as outras? E todo o mar oceano? De forma, Tarsila, que se poderá dizer sem erro, que um pequeno sulco modificou o aspecto exterior do mar. Você foi como um sulco. Será vaidade comparar minha alma de poeta a um mar?
Mário de Andrade
Escrito por Chris às 11h39
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AS DOENÇAS DA PAIXÃO - MOACYR SCLIAR
No clássico "A Montanha Mágica" Thomas Mann coloca na boca de um médico, o doutor Krokowski, palavras que se tornaram célebres: "Os sintomas da doença nada mais são do que uma disfarçada manifestação do poder do amor; toda doença é uma paixão transformada." Não se trata, propriamente, de uma afirmativa original; já o dissera o poeta alemão Novalis, no começo do século XIX: "Nossas enfermidades são resultado de uma sensibilidade exagerada."
Esta é uma idéia antiga. A medicina hipocrática fala dos humores, que governam o nosso temperamento e nos tornam sujeitos a certas doenças. Um destes humores é o sangue. A pessoa que tem temperamento sanguíneo é vivaz, cheia de energia. Mas se há excesso de sangue - a pletora - pode ocorrer uma apoplexia, ou seja, um acidente vascular cerebral de tipo hemorrágico. Pletóricos eram tratados com sangria, cujo objetivo era remover o excesso de sangue.
A medicina chinesa distingue entre as causas externas do doença (clima, alimentação) e causas internas, que são basicamente emocionais. Mais recentemente criou-se a expressão doença psicossomática, para designar aquela situação em que os problemas emocionais geram doença, através sobretudo do estresse - outro termo moderno, este cunhado por Hans Selye. Na Universidade de Washington foi organizada uma escala de estresse, com pontuação; um dos valores mais altos (73 pontos) corresponde ao divórcio.
Seja através dos efeitos somáticos (hormonais, imunitários) seja através das repercussões na mente, as paixões reprimidas, contrariadas ou mal-sucedidas adoecem as pessoas. Isto ficou muito claro à época do longo (1837-1901) reinado da rainha Vitória na Grã-Bretanha. Entre os vitorianos a repressão sexual, através de uma educação em que o castigo corporal era a regra, podia gerar perversões que às vezes chegavam ao crime, como o mostra a sombria trajetória de Jack, o Estripador.
Também eram freqüentes os casos de histeria. O nome, que vem do grego hysteron, útero, mostra que o problema era considerado principalmente feminino, ainda que homens não estivessem imunes a ele. Vários quadros eram descritos. Em primeiro lugar, o ataque histérico propriamente dito: a mulher alternadamente chorava ou ria, tinha convulsões semelhantes à da epilepsia, eventualmente desmaiava. A paciente às vezes queixava-se do globus hystericus, uma sensação de bola na garganta. Também podiam ocorrer paralisias histéricas, em geral de um braço - sem que a paciente se mostrasse impressionada, situação descrita como la belle indiférence, a bela indiferença.
Estes casos foram estudados, a partir de 1870, pelo famoso doutor Jean Martin Charcot, em Paris. Com ele, estagiava um jovem médico vienense, Sigmund Freud. Discutindo com Charcot a origem da histeria, Freud ouviu dele uma afirmação reveladora: "C'est toujours la chose génitale", é sempre a coisa genital. A partir daí Freud começou a desenvolver a teoria da qual resultaria a psicanálise, na qual a repressão da libido é vista como causa de doença psíquica.
Adoece-se de paixão contrariada, morre-se de amor não correspondido. Esta era uma visão freqüente na época romântica, em que jovens poetas e artistas morriam mesmo muito cedo (mas de tuberculose, como foi o caso de Castro Alves). A isto deve-se acrescentar os casos de suicídio, de alcoolismo, de uso de drogas.
Mas o amor ajuda a viver. Não estamos falando só da preservação da espécie humana; o amor, o carinho, preservam a vida. A expectativa de vida de casados que estão juntos há muito tempo é bem maior que a de solteiros, de divorciados, de viúvos. O Elixir do Amor, que dá título à ópera de Donizetti, é também o elixir da longa vida. Revista Viver Mente & Cérebro
Escrito por Chris às 15h05
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MARIA BETHÂNIA
Está tocando no rádio uma seleção de músicas da Maria Bethânia que eu ADORO!!! Vale a pena colocar uns trechinhos no blog:
"Uma tigresa, de unhas negras
e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza
que me aconteceu
Esfregando a pele, de ouro marrom
do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel.
Enquanto os pelos dessa deusa
tremem ao vento ateu
ela me conta, sem certeza, tudo o que viveu."
"Então, tá combinado, é quase nada
é tudo somente sexo e amizade
Então tá tudo dito e é tão bonito
é tudo só brincadeira e verdade
Mas e se o amor chegar,
de nós de algum lugar com todo o seu
tenebroso esplendor
mas e se o amor já está, se há muito tempo que chegou
e só nos enganou
Então não fale nada, apague a estrada que o seu caminhar já desenhou..."
Escrito por Chris às 11h40
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FOTOBLOG
COLOQUEI MAIS DEZ FOTOS NO FOTOBLOG. APAREÇAM POR LÁ E DEIXEM SEUS COMENTÁRIOS!
BEIJOS!
CHRIS
Escrito por Chris às 09h51
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FAZES-ME FALTA - INÊS PEDROSA (ESCRITORA PORTUGUESA)
"Não me deixes chegar ao céu, meu querido. Eu sempre tive tanto medo de que tu tivesses razão. E se o céu for o desencanto em que crês? E se nossa amizade mal vivida não couber na perfeição do céu? Deixa-me ser apenas a beleza magoada da tua vida, enquanto a vida for tua."
O livro se constitui num diálogo muitíssimo bem escrito entre um homem e sua amada falecida, sobre tudo o que viveram juntos. É lindo, mas deve ser lido em momentos apropriados, pois é deprimente em alguns trechos...
Escrito por Chris às 10h32
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FLORES RARAS E BANALÍSSIMAS - CARMEN L.. OLIVEIRA
Foi lançada a nova edição do livro "Flores raras e banalíssimas", a história de Lota Macedo Soares e Elizabeth Bishop, pela Rocco.
"...O livro rende homenagem a um amor profundo e comovente entre duas mulheres: cada qual figura pública notável em seu país, ambas valorizando a vida privada, felizes (por um tempo) no frágil paraíso de sua casa." (The New York Times Book Review)
Estou nas primeiras páginas do livro, mas já tenho gostado bastante da maneira como a autora descreve as características dessas mulheres e da cidade de Petrópolis.
Escrito por Chris às 10h16
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FELIZ ANIVERSÁRIO - CLARICE LISPECTOR
Ontem, assisti à peça "Feliz Aniversário", abrindo o Festival de Teatro do Rio de Janeiro, no Teatro Glauce Rocha. Fui especialmente para prestigiar minha amiga Nadja Mitidiero, linda no placo. A peça retrata o que é uma família, abordando temas como sexualidade e traição. Valeu a pena!
Escrito por Chris às 10h07
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FLORBELA ESPANCA
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... Além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu a voz, foi para cantar!
E se um dia hei-se ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...pra me encontrar...
Florbela Espanca
Escrito por Chris às 00h04
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NOVIDADES
Devorei num só fôlego “As cinco Marias” de Carpinejar. Poesia pura numa tarde de sábado com chuva.
Nesse mesmo dia, 13/11/04, o “Prosa e Verso” publicou uma resenha sobre “Os diários de Sylvia Plath, 1950- 1962”:
“Só escrevo aqui quando estou no fundo do poço, num beco sem saída”
“Escrever. (...) Mas para escrever é preciso viver, certo?”
“Escrever é um ato religioso, uma missão, uma reforma, um aprendizado e um amar de novo as pessoas e o mundo como são e como poderiam ser. Uma postura que não passa como um dia datilografando ou lecionando. A escrita perdura: ela sesegue seu próprio caminho no mundo”.
“...praticar a literatura exige esforços de Sísifo, provocando, em doses por vezes desiguais, o prazer e a rejeição.”
É importante ressaltar o “TEMA EM DEBATE” do O Globo de hoje, 15/11/04: “Alerj quer curar homossexuais” e “Retorno às trevas, com subsídios”.
Principalmente depois de ter estudado tanto sobre o tema para escrever “Mudança de Sexo – Causas e Efeitos”, fico estarrecida quando vejo nos jornais as notícias sobre o projeto de lei nº 717/2003, visando oferecer tratamento a homossexuais para se transformarem em heterossexuais, “terapia” a ser realizada com o dinheiro público (improbidade administrativa!!!). Os psicólogos responsáveis pelas matérias foram brilhantes:
“Se homem e mulher se completassem, como a chave e a fechadura, não existiria problema sexual nenhum pois cada um se satisfaria plenamente com sua cada uma. E todos não viveriam felizes para sempre porque é a incompletude que possibilita a capacidade criativa e desejante do ser humano.
(...)
Aí começam a ser “tratados” todos os que não se enquadram na sexualidade religiosa e vão assim entrando na Casa Verde (cf “O Alienista”, de Machado de Assis) os homossexuais, adúlteros, voyeristas (...), até que chegam a ser internados três quartos da população.”
Enfim, as duas opiniões publicadas (Sérgio Gomes da Silva e Antonio Quinet) são elucidantes. Vale a pena conferir!!!
Escrito por Chris às 00h02
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AS BRASAS
“O que acha disso. Não acredita que o significado da vida é simplesmente a paixão que um dia invade nosso coração, nossa alma e nosso corpo e que, aconteça o que acontecer,continua a queimar eternamente até a morte? E não acredita que não teremos vivido em vão, se um dia sentimos essa paixão? É aí que me pergunto: a paixão é de fato tão profunda, tão má, tão grandiosa, tão desumana? Será que realmente é desejar uma pessoa específica, ou é apenas o próprio desejo? Será que consiste em querer uma criatura bem definida, a mesma e misteriosa criatura que poderá ser boa ou má - tanto faz -, pois não são as suas ações nem suas qualidades que vão modificar a intensidade de nosso sentimento? Esta é a pergunta. Responda, se for capaz.”
Sándor Márai, Pág. 162, Companhia Das Letras.
Escrito por Chris às 00h00
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