ANTÍDOTO
   SAUDADES DA CÁSSIA ELLER

"O que você está fazendo

com o relicário imenso desse amor..."

Lembrando a cantoria de ontem...



Escrito por Chris às 18h09
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"Amor de longe, benzinho

É favor não me querer, benzinho

Dinheiro eu não tenho, benzinho

Mas carinho eu sei fazer até demais."

 

Estou com essa música na cabeça há algum tempo... lembrando de um cd antigo da Maria Bethânia que não ouço há anos. Paro, faço uma coisa, outra e a música volta, vai e volta. Vou procurar o cd prá ver se ele me diz algo mais.Às vezes isso acontece comigo. As letras e melodias mandam mensagens, ou apenas lembranças.

 



Escrito por Chris às 18h07
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   O GRITO

Estou acorrentado a este penhasco

logo eu que roubei o fogo dos céus.

Há muito tempo sei que este penhasco

não existe, como tampouco há um deus

a me punir, mas sigo acorrentado.

Aguardam-me amplos caminhos no mar

e urbes formigantes a engendrar

cruzamentos febris e inopinados.

Artur diz "claro" e recomenda um amigo

que parcela pacotes de excursões.

Abutres devoram-me as decisões

e uma ponta do fígado mas digo:

E daí? Dia desses com um só grito

eu estraçalho todos os grilhões.

 

ANTONIO CICERO



Escrito por Chris às 15h43
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   A SESTA - VAN GOGH

 

Escrito por Chris às 13h51
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   A SUA (MARISA MONTE)

Eu só quero que você saiba

Que eu estou pensando em você

Agora e sempre mais

Eu só quero que você ouça

A canção que eu fiz pra dizer

Que eu te adoro

Cada vez mais

E que eu te quero sempre em paz

 

Tô com sintomas de saudade

Tô pensando em você

Como eu te quero tanto bem

Aonde for não quero dor

Eu tomo conta de você

Mas te quero livre também

Como o tempo vai e o vento vem

 

Eu só quero que você caiba

No meu colo porque

Eu te adoro cada vez mais

Eu só quero que você siga

Para onde quiser

Que eu não vou ficar muito atrás

 

Eu só quero que você saiba

Que eu estou pensando em você

Mas te quero livre também

Como o tempo vai e o vento vem

Que eu te quero livre também

Como o tempo vai e o vento vem.



Escrito por Chris às 13h45
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   PAULO HENRIQUES BRITTO - TROVAR CLARO

O desespero tranqüilo dessas manhãs

sem sol, sem álibis sem soluções.

No máximo uma brisa, não necessariamente

fresca, (Nada, aliás, é necessariamente nada,) Um automóvel pigarreia e passa,

 

interrompendo o arrazoado irrelevante

dos pássaros nas árvores. Nenhum sinal

de uma evidência capaz de abstrair

esta manhã vazia de intenções

e conseqüências, e absolver o dia.



Escrito por Chris às 09h47
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   HILDA HILST

"Se for possível, manda-me dizer:
"É lua cheia, a casa está vazia!"
manda-me dizer, e o paraíso há de ficar mais perto, e mais recente me há de parecer seu rosto incerto.
Manda-me buscar, se tens os dias tão longo como as noites.
Se é verdade que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras, do brilho das marés, de uns peixes rosados, numas águas, e de meus pés molhados, manda-me dizer:
"É lua nova!"
E revestida de luz, te volto a ver."

 




Escrito por Chris às 09h03
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   FUTUROS AMANTES

"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você"

Chico Buarque


Escrito por Chris às 09h00
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   VAN GOGH



Escrito por Chris às 08h52
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   CABECEIRA

"Intratável

Não quero mais por poemas no papel

Nem dar a conhecer da minha ternura.

Faço ar de dura

muito sóbria e dura não pergunto

'da sombra daquele beijo

que farei?'

É inútil ficar à escuta

ou manobrar a lupa

da adivinhação

Dito isto

o livro de cabeceira cai no chão.

Tua mão que desliza

distraidamente?

sobre a minha mão"

ANA CRISTINA CESAR



Escrito por Chris às 20h47
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   CARPINEJAR

"NÃO ENTENDO O SILÊNCIO

E O SUBESTIMO COMO TRÉGUA DA FALA.

ELE NÃO COMEÇA AO CESSAR AS PALAVRAS

NÃO TERMINA AO PRONUNCIÁ-LAS."

 



Escrito por Chris às 20h40
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   EXERCÍCIO Nº 1

Se permitires

Traço nesta lousa

O que em mim se faz

E não repousa:

Uma idéia de Deus.

 

Clara como Cousa

Se sobrepondo

A tudo que não ouso.

 

Clara como cousa

Sob um feixe de luz

Num lúcido anteparo.

 

Se permitires ouso

Comparar o que penso

A Ouro e Aro

Na superfície clara

De um solário.

 

E te parece pouco

Tanta exatidão

Em quem não ousa?

 

Uma idéia de Deus

No meu peito se faz

E não repousa.

 

E o mais fundo de mim

Me diz apenas: Canta,

Porque à tua volta

É noite. O ser descansa.

Ousa.

 

Hilda Hilst



Escrito por Chris às 11h03
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   CHOPADA

Depois de apresentar um trabalho na UFF, saí com as amigas para tomar cerveja no "Vestibular  do chope". O bar fechou e fomos para outro. Resultado: cheguei em casa às 3h da madruga, alegre, alegre... Oh, vida boa essa de freqüentar a universidade, é uma pena que esteja acabando. Vou sentir falta das aulas, dos professores e dos colegas.

Ai, que ressaca!



Escrito por Chris às 10h52
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   NATUREZA



Escrito por Chris às 12h48
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   PERFUME AZUL

"Estava sentada logo atrás de mim ou ao meu lado, não sei bem. Vestia azul. Senti seu perfume e perguntei logo qual era. Ela deu um longo e largo sorriso que se misturou à resposta. Tratava-se de uma marca italiana. Não me lembro mais do delicioso aroma, nem sequer memorizei o nome, mas o sorriso e a expressão do rosto naquele breve momento, disso serei incapaz de esquecer."

(Leonardo Esteves)



Escrito por Chris às 12h43
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   CANÇÃO DO AMOR IMPOSSÍVEL

Como não te perderia

se te amei perdidamente

se em teus lábios eu sorvia

néctar quando sorrias

se quando estavas presente

era eu que não me achava

e quando tu não estavas

eu também ficava ausente

se eras minha fantasia

elevada a poesia

se nasceste em meu poente

como não te perderia

ANTÔNIO CÍCERO (A cidade e os livros)

 

 



Escrito por Chris às 10h26
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Escrito por Chris às 10h21
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   POESIA VISUAL



Escrito por Chris às 10h20
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   DEPOIS DE TER VOCÊ

"Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?
Se é noite ou faz calor?
Se estamos no verão?
Se o sol virá ou não?
Ou pra que é serve uma canção
Como essa?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você..."

Adriana Calcanhoto




Escrito por Chris às 12h12
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   SEXO É PROSA

Lendo a crõnica do Jabor, na qual ele fala do seu avô, não pude deixar de lembrar do meu pai e da minha bisavó paterna. Nossa, como eles gostavam de falar de sexo, de contar histórias picantes, e como tiveram vidas interessantes e ousadas para a época.

Na nossa casa, a cerveja e o vinho estavam sempre presentes. Meu pai cozinhando, a Bisa fazendo croché e cantando. Os dois, o tempo todo, parando para contar histórias vividas ou inventadas. E eu absorvendo tudo...  Eles tinham a mente milênios a frente do tempo em que realmente estavam. Faltava a cultura acadêmica. Sobravam: criatividade, amor, fantasia e afagos. Vivi sendo tocada e amada incondicionalemnte pela família que Deus escolheu para mim. Jabor me emocionou.

Minha casa sempre foi o local de acolhida dos meus amigos. Papai adorava, assim como eu, a casa cheia, festas, gente,música,alegria. Era o homem dos superlativos. Não importava quanto dinheiro tivesse no bolso. Ligava o som, fumava seu cachimbo, tomava uma cerveja, rodeado pelas pessoas queridas, e dizia: "- Filha, isso é melhor que ser rico."

Saudades, muitas saudades do meu pai querido e da minha Bisa. Sinto falta da prosa na cozinha, da nossa abertura para conversar, e hoje vejo o quanto isso é raro. Ainda bem que os amei demais. Ainda bem que eu aproveitei a chance de externar esse amor.



Escrito por Chris às 11h55
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   ENCONTROS COM O MODERNISMO

Fui ao MAM, ontem, ver a exposição "Encontros com o modernismo". Vale a pena! Tem Kandinski, Andy Warhol, Keith Haring, Anita Malfati e muito, muito mais.

Destaques das coleções

Stedelijk Museum Amsterdam

Museu de Ate Moderna do Rio de Janeiro

Gilberto Chateaubriand



Escrito por Chris às 11h40
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   LITERATURA

Na sexta-feira, dia 3/12, tive a grata surpresa de encontrar e comprar os novos livros do Arnaldo Jabor (Amor é prosa, sexo é poesia) e do Manoel de Barros (Poemas Rupestres). Do primeiro, eu já conhecia e gostava bastante de algumas crônicas. O último valeria a pena só pela orelha do Paulinho Assunção, uma carta ao Manoel, linda demais.

Estou, a cada dia, mais apaixonada pela literatura. É uma paixão antiga que ainda não se transformou em amor, porque continua ardendo no peito, enxendo meus olhos de lágrimas, aliviando outras dores e me dando forças para continuar nesse caminho que a arte oferece e tanta gente não consegue enxergar.

Acredito que quem se enveredou por essa estrada e, depois, dela tentou sair deve ter experimentado uma profunda sensação de perda e infelicidade. A arte liberta!



Escrito por Chris às 11h31
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   AMOR É PROSA SEXO É POESIA

"Recordo também, com estranheza, que meu sentimento (...) foi de impossibilidade; aquele rosto me pareceu maravilhoso e impossível de ser atingido inteiramente, foi um instante mágico ao mesmo tempo de descoberta e de perda. Escrevendo agora, percebo que aquela sensação de profundo "sentido" (...) pode ter marcado minha maneira de ser e amar pelos tempos (...). Senti a presença de algo belíssimo e inapreensível que hoje (...), arrisco dizer que talvez seja a marca do amor: ser impossível. Calma pessoal, claro que o amor existe, nem eu sou um masoquista de livro, mas a marca do sublime, o momento em que o impossível parece possível, onde o impalpável fica compreensível, esse instante se repetiu no futuro por minha vida, levando-me para um trem-fantasma de alegrias e dores."

ARNALDO JABOR (Ed. Objetiva, pág. 11)



Escrito por Chris às 11h16
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   MANOEL DE BARROS

"EU OUÇO A FONTE DOS TONTOS.

(...) QUEM OUVE A FONTE DOS TONTOS NÃO CABE MAIS

DENTRO DELE

OUTRA PESSOA DESABRE"

 



Escrito por Chris às 11h00
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   ANTÍDOTO

 

“A folha branca, a tela branca, o nó na garganta. Coração apertado, estômago comprimido. Saí para beber e quase não tomei nada, em solidariedade a sua abstinência. Consciência soprando em meus ouvidos, dizendo que, mais uma vez, falei além do que deveria.

O que eu digo é forte, assim como o que sinto. Poderia alimentar sua paixão por Baco, por força da possível ação de Eros e Afrodite. Preferi a dureza das palavras para ter você por inteiro ao meu lado, sem os efeitos Dionisíacos. A gente não precisa disso para se inebriar.

Difícil definir os sentimentos. É mais fácil identificar os sintomas: olhar perdido, lágrimas teimosas, perda, dor antecipada... O que pode ser isso? Eu continuo vendo “girassóis nos seus cabelos” e sentindo o cheiro do azul dos seus olhos. Seu braço no meu. Sua boca em mim. Meus anéis nos seus dedos.

Acabo sentindo saudade da loucura provocada pelo prosseco, das palavras loucas, soltas no meio da noite, dos beijos, dos beijos, dos beijos... Dos meus cabelos em suas mãos, do seu jeito diferente, desconhecido por mim e acabo querendo você de qualquer maneira, mesmo sabendo que pode não ser o melhor pra nós.

Encontro-me aqui escrevendo, à procura do antídoto, uma maneira de me livrar do vício de pensar em você. Ainda bem que eu não trouxe seu livro pra casa, ou passaria dias na prisão a algo que lhe traria, de alguma forma, para perto de mim. Bastam as lembranças.

Peço desculpas, desculpas, desculpas, por dizer o que não lhe fez bem. Eu  queria exatamente o contrário. Eu só sinto vontade de fazer com que se sinta confortável perto de mim.

Meu discurso foi falho. As palavras e as pausas não combinaram com o que há no meu interior. Ficou o “vão” o “espaço do não dito”, do não ouvido, a sua ausência. O corpo pede uma coisa e a gente faz outra. O coração empurra pra frente, o tempo e a culpa jogam-nos para trás. Implosão.

Fiquei triste. Continuo lhe querendo. Busco a completude que podemos nos oferecer.”

 (Leonardo Esteves)



Escrito por Chris às 10h52
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   GIRASSÓIS - VAN GOGH

"Um girassol nos teus cabelos

                                         batom vermelho, girassol...."

                                         (Alceu Valença)

                                       

 

 

 



Escrito por Chris às 14h30
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   GONZAGUINHA TOCANDO NA JB FM

"QUERO AMAR VOCÊ DE TODAS AS MANEIRAS

QUE EU PUDER SENTIR VOCÊ (...)

COM TODOS OS SENTIDOS

DO PRAZER

AH, QUE FEL, MAMÃO COM MEL

E EU NÃO TENHO ASAS PRA VOAR..."

 



Escrito por Chris às 13h43
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"É PELO TATO QUE A FORÇA DO AMOR SE ABRE"

MANOEL DE BARROS



Escrito por Chris às 13h39
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   O VESTÍGIO E A AURA

Com essa mania de não sair das livrarias "fuçando" tudo o que aparece de novo, descobri "O vestígio e a aura" de Jurandir Freire Costa. Nese livro, encontrei uma passagem que tem tudo a ver com as matérias publicadas no jornal O Globo do dia 15/11/04, sobre o projeto de lei que trata a sexualidade (homo, bi, etc.) como "perversão",  "doença", assuntos mencionado em  post anterior. Vejamos.

"A causa sexual é uma das causas possíveis de nossa vida mental e de seus conflitos. É muito, mas é só isto. Querer eternizar certas imagens teóricas do sujeito, por suas razões de fidelidade corporativa ou receio da experimentação é contrariar o que não cessamos de dizer sobre a aceitação da castração ou a abertura identificatória para novas estilizações éticas de si.

Nietzsche, ao se referir à demonização histórica do sexo feita pelo cristianismo, disse:

No final, essa demonização de Eros teve um desfecho cômico. O "diabo" Eros, pouco a pouco, começou a interessar aos homens mais que os anjinhos e santos, graças aos mexericos e segredinhos da Igreja em matéria de erotismo. A Igreja, desse modo, conseguiu fazer com que, até os dias atuais, as histórias de amor se tornasem o único interesse verdadeiramente comum a todos os meios, com um exagero que seria compreensível à Antigüidade e terminará, um dia, por cair no ridículo. Toda produção de nossos poetas e pensadores, do mais elevado ao mais baixo, é marcada e mais que marcada pela importância excessiva dada às histórias de amor, que desempenham sempre o papel principal. Isso, talvez, incitará a posteridade a julgar que pesa qualquer coisa de mesquinho e maníaco sobre a herança inteira da cultura cristã."

 

A Igreja pode ser considerada a maior responsável pela culpa do ser humano, por esse sentimento ambíguo e que em deteminados momentos serve como o fiel da balança, quando da tomada de decisões, como um assovio da consciência em nossos ouvidos, quanto ao que pode ser melhor ou pior, certo ou errado, mas, na maioria das vezes, só existe para deixar-nos tristes desnecessariamente, por "pecados" não cometidos. Penso dessa forma, e vejo que não estou só no meu raciocínio.

Deve-se falar do sexo como de uma coisa que não se pode simplesmente condenar ou tolerar, mas regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. "O sexo não se julga, apenas administra-se" (Foucault).



Escrito por Chris às 10h51
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   MACAU - PAULO HENRIQUES BRITTO

A opacidade das coisas

e os olhos serem só dois.

 

A compulsão sem culpa

de dar sentido a tudo.

 

O incômodo pejo

de ser só desejo.

 

Por fim, o acaso.

Sem o qual, nada.



Escrito por Chris às 14h41
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   BEIJO

 EXISTE ALGO MELHOR QUE BEIJAR A PESSOA DESEJADA?

ABRAÇAR, TOCAR, ACARICIAR, AMAR...

É TUDO DE BOM!



Escrito por Chris às 10h41
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   O BEIJO - DI CAVALCANTI



Escrito por Chris às 10h35
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   O BEIJO - RODIN

Quero um beijo sem fim, que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo, Beija-me assim!

Olavo Bilac
Alceu Amoroso Lima (org.) Olavo Bilac Poesia. Rio de Janeiro, Agir, 1976.



Escrito por Chris às 10h32
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   AMIGA

Amiga

Eu precisava de você nesta hora

E foi tão bom eu te encontrar agora

Tenho tanta coisa pra te dizer

Amiga

Tua palavra é o meu caminho certo

Teu pensamento, o meu livro aberto

Não vá agora, eu preciso de você

"Amiga

O meu passado você conhece

E muitas vezes você se esquece

Que agora no presente tenho tanta coisa pra contar

Amiga estou tão só que às vezes me perco

Tua palavra será o meu acerto

Preciso agora de você um pouco mais."

(Edson Trindade - Cleonice)

CD - Renato Braz (Quixote)



Escrito por Chris às 13h58
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Impressionismo... impressionante.  Sem comentários.



Escrito por Chris às 13h49
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   LUZ E MISTÉRIO

"Oh, meu grande bem

Só vejo pistas falsas

Pudesse eu ter a rota certa

Que levasse até dentro de ti"

Beto Guedes



Escrito por Chris às 10h30
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   MEU DIA

Meu dia hoje está meio Lô Borges, chuvoso, com gosto de saudade. Vi o Lô no teatro da Cândido Mendes, no projeto som do meio-dia, há uns dez anos... Conheci o Xande que tocava violão com um jeito mineiro, e muito do Beto Guedes. Ele namorou a Naninha e ficou meu amigo. Com o tempo, ela ficava com ciúmes quando a gente se encontrava, porque era música e poesia o tempo todo. Passou... Eles terminaram. Ficou minha amizade com ela, dos 13 anos de idade, até hoje. Preservar os relacionamentos me faz bem demais.



Escrito por Chris às 10h28
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   BEIJO DE COLOMBINA

"Bonita pelos padrões vigentes, eu nem a achei tanto assim, na primeira vez em que a vi. Já disse que parecia ter umas pernas estúpidas, e que a cara também parecia um a perna. Depois vi Teresa de novo, mais tarde, na mesma festa, e achei que havia alguma coisa estranha nela, talvez nos olhos, os olhos pareciam mais velhos do que o resto, como se tivessem nascido primeiro e ficado anos esperando que o resto do corpo nascesse. Talvez por causa do avançado da hora ou do uísque mais a cerveja, mais a vodca. Da terceira vez não vi mais nada, vi só Teresa e descobri que ela era bossa-nova."

 

LISBOA, Adriana; Beijo de Colombina, pág. 27, Rocco, 2003 (indicado ao Prêmio Jabuti - 2004)



Escrito por Chris às 10h19
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   TERESA

TERESA

A primeira vez que vi Teresa

Achei que ela tinha pernas estúpidas

Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo

Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo

(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada

Os céus se misturaram com a terra

E o espírito de Deus

Voltou a se mover sobre a face das águas.

 

 

BANDEIRA, Manuel, Estrela da Vida Inteira, pág 136, Nova Fronteira, 30ª reimpressão.



Escrito por Chris às 10h17
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   SONHO REAL

SONHO REAL

(Lô Borges - Ronaldo Bastos)

À primeira vista

A paixão não tem defesa

Tem que ser um grande artista

Pra querer se segurar

Faz tremer a perna

Faz a bela virar fera

Quando alguém que a gente espera

Quer se chegar

Só de pensar já me faz mais feliz

Nem mesmo o amor começa

Eu já quero bis

Chega, instala a beleza

No mesmo momento

Ao se encostar

Sonho real

Faz surpresa pra mim

E trança o meu destino

Com alguém assim

Chega e instala a beleza

No mesmo momento

Felicidade pode estar pelo sim

Às vezes do seu lado tem alguém a fim

Chega, instala a beleza

Momento de sonho real

Vem andar comigo numa beira de estrada

Desse lado ensolarado que eu achei pra caminhar

Vem, meu anjo torto

Abusar do meu conforto

Seu meu bem em cada porto

Que eu ancorar

Felicidade pode estar pelo sim

Às vezes do seu lado tem alguém a fim

Chega, instala a beleza

Momento de sonho real



Escrito por Chris às 10h15
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