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E por falar na Bethânia...

"Ela e eu"
Caetano Veloso
"Há flores de cores concentradas Ondas queimam rochas com seu sal Vibrações do sol no por da estrada Muita coisa, quase nada Cataclismas, carnaval
Há muitos planetas habitados E o vazio da imensidão do céu Bem e mal e boca e mel E essa voz que Deus me deu Mas nada é igual a ela e eu"
Escrito por Chris às 16h15
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Crítica de Marcelo Moutinho do blog Pentimento
Mais uma vez: Show da Bethânia

Como de costume, foi uma noite especialíssima a de sexta passada, quando enfim assisti ao show Tempo tempo tempo tempo, da Bethânia. Alguns pitacos sobre o espetáculo:
. Não entendi a saraivada de críticas ao cenário (de Daniela Thomas e Marcia Moon), completamente integrado à proposta do show, com menções geométricas à passagem do tempo e à memória. Também discordo que a movimentação tire a atenção da platéia com relação à cantora. Sinceramente, tantos ataques me pareceram um pré-conceito negativo sobre aquele tipo de arte (e falo de cadeira, pois nem é meu estilo preferido...);
. O set inicial é um deslumbre. Quando Bethânia canta Modinha, canção em que Vinícius fala justamente da estranha capacidade de o poeta transformar sua dor em beleza (ainda que para desfrute de outrem), não há como não sentir as lágrimas se aproximando. A grandeza da abertura não se mantém o tempo todo, mas a platéia é ganha já ali;
. No sábado à tarde, resolvi ver novamente Brasileirinho, agora em dvd. Certamente é um show mais orgânico, com melhor repertório até. Talvez, ao lado de Nossos momentos (de 1982, no Teatro da Praia), o melhor que Bethânia já fez. Mas é injusta a comparação com o atual tendo tal espetáculo como referência, porque se aquele foi um momento de iluminação suprema, este tem qualidade suficiente para ser chamado de "um grande show";
. A maturidade interpretativa de Bethânia impressiona. Ao contrário de cantoras como Gal Costa, que perderam o viço e se transformaram em caricaturas de diva, Bethânia apurou a voz e a afinação sem largar a alma;
. Meus destaques ficam com as interepretações da já citada Modinha, O astronauta, Minha namorada, A felicidade (palmas para a expressiva iluminação, principalmente neste momento) e da existencialista Tempo tempo tempo tempo, em que a cantora consegue conjugar fúria e delicadeza;
. É um show à flor da pele. Quem anda à flor da pele que nem eu, passa as pouco mais de duas horas com os olhos marejados. E algumas vezes as lágrimas descem mesmo...;
. O trecho do Monólogo de Orfeu, que ela lê em certo momento, é de uma beleza que vou lhes contar. Desconhecia o texto, mas hoje li inteiro e posto aqui parte do que ela declamou, grifando meus versos preferidos:
"(...) Ah, minha Eurídice, Meu verso, meu silêncio, minha música! Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada Sou coisa sem razão, jogada, sou Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice... Coisa incompreensível! A existência Sem ti é como olhar para um relógio Só com o ponteiro dos minutos. Tu És a hora, és o que dá sentido E direcção ao tempo (...)"
Escrito por Chris às 16h08
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"Tá combinado"
Caetano Veloso
Então tá combinado, é quase nada É tudo somente sexo e amizade. Não tem nenhum engano nem mistério. É tudo só brincadeira e verdade. Podermos ver o mundo juntos, Sermos dois e sermos muitos, Nos sabermos sós sem estarmos sós. Abrirmos a cabeça Para que afinal floresça O mais que humano em nós. Então tá tudo dito E é tão bonito E eu acredito Num claro futuro de música, ternura e aventura Pro equilibrista em cima do muro.
Mas e se o amor pra nós chegar, De nós, de algum lugar Com todo o seu tenebroso esplendor? Mas e se o amor já está, se há muito tempo que chegou E só nos enganou? Então não fale nada, Apague a estrada Que seu caminhar já desenhou Porque toda razão, toda palavra Vale nada quando chega o amor..."
Escrito por Chris às 13h16
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VERMEER

Escrito por Chris às 13h11
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NOVAS FOTOS NO "MEUS MOMENTOS" E NO "VÔO DO OLHAR". APAREÇAM NOS FOTOBLOGS!
Escrito por Chris às 00h01
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HILDA HILST
Porque é feita de pergunta
De poeira
Articulada, coesa
Persigo tua cara e carne
Resoluta.
Porque finge que franqueia
Vestíbulo, espaço e casa
Se sobrepondo de cascas
Gaiolas, grades
Máscara tripla
Persigo tua cara e carne.
Comigo serrote e faca.
Escrito por Chris às 23h59
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CARTÃO DE NATAL
.................................
Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem,
o sim comer o não.
JOÃO CABRAL DE MELO NETO
Escrito por Chris às 23h55
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TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é a multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte
linguagem.
Traduzir uma parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Escrito por Chris às 11h47
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LIVRO DO DESASSOSSEGO
"Não tomando nada a sério, nem considerando que nos fosse dada, por certa, outra realidade que não as nossas sensações, nelas nos abrigamos, e a elas exploramos como a grandes países desconhecidos."
"Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que descrevemos. Mas imperfeito é tudo, nem há poente tão belo que não o pudesse ser mais, ou brisa leve que nos dê sono que não pudesse dar-nos um sono mais calmo ainda."
Fernando Pessoa
Escrito por Chris às 11h34
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"Meu amor, me diz o que você faria
se só te restasse esse dia
se o mundo fosse acabar
me diz o que você faria..."
Escrito por Chris às 11h20
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"Tinha-me levantado cedo e tardava em preparar-me para existir."
Fernando Pessoa - Livro do Desassossego
Escrito por Chris às 11h00
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SHOW DA TERESA CRISTINA NO CARIOCA DA GEMA - LAPA (BOM DEMAIS!!!)
SEXTA-FEIRA - 4/03/05
Escrito por Chris às 12h25
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CD - QUE FALTA VOCÊ ME FAZ - MARIA BETHÂNIA
SHOW - TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO
"Você cortou o barato do meu amor
Ah, eu vou embora..."
A rainha Bethânia cantou Vinicius e antigos sucessos, como o transcrito acima, do Benito de Paula. Lindo CD! Excelente show!
Escrito por Chris às 12h18
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Certas Coisas
Certas coisas
Não se podem deixar para depois.
Muitos poemas perdi
Pensando: "depois escrevo",
"agora estou almoçando"
ou "consertando a porta".
Assim, adiei-perdi
O melhor ? de mim.
Certas coisas
Não se podem deixar para depois,
E nisto incluo: frutos no galho,
Mudanças sociais,
Certas coxas e bocas
E esta manhã que se esvai.
Certas coisas
Não se podem deixar para depois.
O amor não se adia
Como se adiam os impostos, a viagem, a utopia.
O desejo sabe o que quer,
Detesta burocracia.
Feito depois, o amor
É murcha lembrança
Do que, não-sendo, seria.
Certas coisas
Não se podem deixar para depois.
Como o amor e as pessoas, não se pode recuperar
AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA
Escrito por Chris às 12h13
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TOCANDO NO RÁDIO
"Quando a luz dos olhos meus
e a luz dos olhos seus resolvem se encontrar
Ah, que bom isso meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar..."
Escrito por Chris às 12h08
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COMPASSO DE CALMARIA
Já não falo de amor aos céus de pedra
nem firo as águas com os remos sujos.
Aprendi a viver.
O pulso dos meus dias canta em mim
e a poesia é o espelho do espírito.
Completei-me, afinal.
(...)
Lêdo Ivo
Escrito por Chris às 12h05
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Bishop

"O banho de xampu"
Elizabeth Bishop
"Os liquens - silenciosas explosões nas pedras - crescem e engordam, concêntricas, cinzentas concussões. Têm um encontro marcado com os halos ao redor da lua, embora até o momento nada tenha mudado.
E como o céu há de nos dar guardia enquanto isso não se der, você há de convir, amiga, que se precipitou; e eis no que dá. Porque o Tempo é, mais que tudo, contemporizador.
No teu cabelo negro brilham estrelas cadentes, arredias. Para onde irão elas tão cedo, resolutas? - Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia amassada e brilhante como a lua."
(Direto do blog Pentimento para o Antídoto)
Elisabeth Bishop e Lota Macedo Soares são "Flores raras e banalíssimas".
Escrito por Chris às 11h38
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COMO LER UMA HISTÓRIA
"Ao terminar a leitura de uma estória ou de um poema jamais pergunte 'O que é que o autor queria dizer?' Porque ao fazer essa pergunta, você estará afirmando que o autor queria uma outra coisa diferente daquela que ele disse. E, com isso, você o estará acusando de incompetência lingüística. Um autor jamais quer dizer uma outra coisa. Se ele escreveu o que escreveu é porque ele queria dizer o que escreveu. Se tivesse querido dizer uma outra coisa, ele teria escrito esta outra coisa, e não aquilo que escreveu. Assim, não tente interpretar o texto. Entregue-se, simplesmente ao seu gozo. Mas você poderá fazer outras perguntas:'O que é que esse texto me fez pensar? 'Por que caminhos da imaginação ele me fez voar?' A resposta a um texto não é interpretação. É o outro texto que você, leitor, produz inconscientemente enquanto lê..."
(Rubem Alves - Os três reis)
Escrito por Chris às 18h31
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DOM CASMURRO
"...em vós ficou a melhor parte da crise, a sensação de um gozo novo, que me envolvia em mim mesmo, e logo me dispersava, e me trazia arrepios, e me derramava não sei que bálsamo interior. Às vezes dava por mim, sorrindo, um ar de riso e satisfação, que desmentia a abomimação do meu pecado."
"Os olhos continuavam a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham."
(Machado de Assis)
Escrito por Chris às 13h37
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"EU TENHO UM PORQUÊ DE VIVER E POSSO ENFRENTAR QUALQUER COMO" - Frase do Nietzsche, personagem de Irvin D. yalon
Escrito por Chris às 11h17
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ALBERTO CAEIRO
"Agora que sinto amor
Tenho interesse nos perfumes.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se vissse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje, às vezes acordo e cheiro antes de ver."
Escrito por Chris às 11h52
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Estou lendo "Quando Nietzsche chorou" (Irvin D. Yalom). O autor não prima pelo uso das metáforas, mas fala do nascimento da psicanálise, tem Freud como persongem e uma trama que prende. Para quem gosta de filosofia, amores e terapia é uma ótima pedida. Dá pra ler num fôlego só!
A "Viver mente&cérebro" está interessante demais, assim como a "Nossa História". Passem na banca e confiram!
Escrito por Chris às 11h45
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