ANTÍDOTO
  

EU FUI E APLAUDI O BELÍSSIMO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, POR SI SÓ UM VERDADEIRO ESPETÁCULO. ESTAVA COMPLETAMENTE LOTADO, COM FILAS PARA ENTRAR QUE TOMARAM A AV. RIO BRANCO, DESDE AS 9H DA MANHÃ.

AINDA DIZEM QUE O POVO NÃO GOSTA DE ARTE...

QUANDO A ENTRADA É FRANCA, DÁ PRA IR.



Escrito por Chris às 20h52
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ANIVERSÁRIO DO THEATRO MUNICIPAL

1909-2005

 

Escrito por Chris às 20h39
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   NOVAS FOTOS DA FLIP - 2005 NOS FOTOBLOGS "FOCO, ABERTURA & VELOCIDADE" , "VÔO DO OLHAR" E "LARISSA FLORZINHA" ( CLIQUE EM VER TODAS AS FOTOS).


Escrito por Chris às 13h22
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2005, o Ano Ibero-americano da Leitura

Galeno Amorim

A escolha de 2005 para comemorar o Ano Ibero-americano da Leitura, decidida pelos chefes de Estados que integram a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), foi a senha para a grande mobilização que começa a tomar conta do País. Por toda parte um contingente formidável de educadores, bibliotecários, escritores, editores, livreiros, organizações não-governamentais e voluntários em geral estão se juntando a empresas e governos - seja federal, estadual ou municipal - para um movimento nacional pela leitura como jamais se viu no Brasil.


A palavra de ordem que está colocando milhares de pessoas nas ruas, praças, escolas, bibliotecas, locais de trabalho, entre tantos outros, é VIVALEITURA. É assim que foi batizado no Brasil o generoso e farto calendário de eventos, projetos e outras ações em favor do livro, da leitura e das bibliotecas que se fará presente do primeiro ao último dia de 2005 e com uma abrangência extraordinária – e só possível graças a união de Estado, setor privado e Terceiro Setor: em todas as cidades brasileiras, sem nenhuma exceção.


Lançado em dezembro passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto que reuniu diversos ministros e todo o chamado povo do livro no Brasil, o VIVALEITURA começou identificando e reunindo tudo aquilo que já se faz no País – e que não é pouco! Estabeleceu parcerias, estimulou a integração de ações e articulou a criação de novos projetos e programas para ampliar sua abrangência e o público beneficiado.


O mais importante, porém, tem sido o fato de que o tema Leitura entrou, finalmente, para a agenda nacional. Está presente, por exemplo, na pauta do presidente da República, que, em menos de 45 dias, reuniu vários de seus ministros e os presidentes da Câmara e do Senado para debater a produção de livros com editores e livreiros e assinar a lei que acabou com as taxas e impostos sobre livros no Brasil.


Está na pauta dos 14 ministérios, entre os quais a Cultura e a Educação, que elaboram o primeiro Plano Nacional do Livro e Leitura da história nacional e uma Política setorial até 2.022, quando se comemora o bi-centenário da Independência. E, ainda, em medidas que vão desde a criação da Câmara Setorial do Livro e Leitura e do Observatório Nacional do Livro e Leitura, em andamento, até o Fundo Pró-Leitura, com a contribuição de 1% sobre a venda de livro no Brasil para financiar políticas públicas como investimentos em bibliotecas, o apoio a escritores, as feiras de livro, a formação de agentes de leitura etc.


Organizadas no Brasil pelo governo brasileiro e por organismos internacionais como a Unesco, a OEI e o Cerlalc (Centro de Fomento ao Livro na América Latina e Caribe), as comemorações do VIVALEITURA têm uma forte adesão dos meios de comunicação. Diversas emissoras de televisão já divulgam vinhetas referentes ao tema e agora ampliam o espaço dedicado ao assunto em seus telejornais e mesmo em telenovelas e outros programas.


Outdoors podem ser vistos nas ruas de grandes cidades como São Paulo numa alegre e saudável banalização, no bom sentido do termo, do livro e da leitura. Até o final do ano, vários governos, empresas e entidades vão levar ao ar campanhas de estímulo à leitura com gente famosa e pessoas anônimas do povo falando sobre o papel do livro em suas vidas. Várias conferências, debates, estudos e pesquisas sobre comportamento leitor já estão programados.


Enfim, o Brasil descobre que a leitura, além de fonte inesgotável de prazer e conhecimento, tem papel preponderante na estratégia de construção de uma Nação desenvolvida, justa e solidária. Esse é o primeiro e imprescindível passo para aumentar em 50%, nos próximos três anos, o índice nacional de leitura, atualmente estacionado na casa do 1,8 livro por habitante/ano. Está dada a largada!


Mais Informações:

Galeno Amorim é coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura, do Ministério da Cultura, e coordenador do comitê executivo do VIVALEITURA no Brasil







Escrito por Chris às 16h58
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"Com o seu trabalho mostrando a condição humana, você se tornou mais pessimista?

SALGADO: Tornei-me mais pessimista, mas não por isso. Tornei-me porque hoje todos são mais pessimistas. A gente vê o que acontece no planeta, pobreza, aids. E não se encontra solução. O problema vai se colocando de forma cada vez mais complicada, num nível cada vez mais difícil de ser resolvido. Como aconteceu no Brasil, a gente vota, tem esperança de chegar a alguma coisa com melhor distribuição de renda, melhor qualidade de vida... Sistemas que não funcionam mais."

SEBASTIÃO SALGADO (fotógrafo) - O GLOBO - 12/07/05 

 



Escrito por Chris às 16h54
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"Estou fascinado por dois homens: Bob Jefferson e José Dirceu. Os dois se completam, se explicam e criaram o panorama do país de hoje. Pela 'verdade' de Dirceu chegamos à mentira; pela mentira de Jeff, chegamos à verdade. A mentira de Jeff é verdadeira e a verdade de Dirceu é mentirosa. Dirceu chegou à corrupção pela revolução e o Jeff, através da corrupção, está fazendo uma revolução no Brasil."

ARNALDO JABOR - O GLOBO - 12/07/05, texto lido na FLIP provocando vaias e aplausos. A polêmica, como de costume, foi o seu forte.



Escrito por Chris às 16h46
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   UM POUCO MAIS DE PARATY



Escrito por Chris às 12h46
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"Por que livrar-se do que se amontoa, como em todas as casas, no fundo das gavetas? Vide Manuel Bandeira: para que ela me encontre com ' a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar'? (...) Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."

Clarice Lispector

em A legião estrangeira e em Outros escritos (Rocco)



Escrito por Chris às 12h41
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"NÃO NOS TEMOS ENTREGUES A NÓS MESMOS, POIS ISSO SERIA O COMEÇO DE UMA VIDA LARGA E NÓS A TEMEMOS."

CLARICE LISPECTOR - APRENDENDO A VIVER (IMAGENS) - ROCCO



Escrito por Chris às 12h34
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MAL TERMINOU A FLIP E TEVE INÍCIO O ANIMA MUNDI 2005. PUDE ASSISTIR A SESSÃO DAS 15H NO ODEON E A DAS 21H NO CCBB (TENDA ANIMADA). ESTOU ADORANDO OS CURTAS (3 E 17)! HOJE, IREI NOVAMENTE  - ACOMPANHADA DO MEU FIEL ESCUDEIRO, LÉO - ÀS 14H, NO CCBB, ASSISTIR UM LONGA.

ARTE É O QUE HÁ DE MELHOR! AMANHÃ: ANIVERSÁRIO DO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO (ABERTO À VISITAÇÃO). SEXTA-FEIRA: IREMOS À EXPOSIÇÃO DO HENRY MOORE NO PAÇO IMPERIAL. JÁ ESTOU EM CLIMA DE FÉRIAS!



Escrito por Chris às 12h16
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   Foto: André Carvalho

CHRIS E SABINE

ESPAÇO DAS LOJAS AMERICANAS.COM

PARATY - FLIP 2005



Escrito por Chris às 20h04
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Escrito por Chris às 13h17
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Escrito por Chris às 12h57
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   FOTOS DA FLIP 2005 NO BLOG ELO PRIMITIVO (ESTÁ ÓTIMO! CLIQUEM NO LINK AO LADO),NOS FOTOBLOGS "FOCO, ABERTURA & VELOCIDADE" (10 NOVAS - VER TODAS AS FOTOS), "VÔO DO OLHAR" E "LARISSA FLORZINHA".

ESTOU ESPERANDO TER UM TEMPINHO PARA POSTAR AS HISTÓRIAS DA FLIP NO ANTÍDOTO. ATÉ MAIS!

Escrito por Chris às 12h53
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PARATY - FLIP 2005 - INESQUECÍVEL!!!



Escrito por Chris às 17h19
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(Foto copiada do blog Pentimento)

FLIP

AMANHÃ ESTAREMOS LÁ, SE DEUS QUISER!



Escrito por Chris às 19h04
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   DEMAIS!!!

Lô Borges

"Linda, como se fosse a terra vista do espaço aberto,
acho você tão linda que nem sei falar...
Frágil, como se fosse neve, claro canal sereno
ou um luar de prata, na velha Amsterdã ...
ou pura paisagem do porto quando a tarde cai
te dou essa rosa, tão rosa como você vai
gota de orvalho na grama lá de Peckham Rye ...
Minha, pode ser minha dona, rambla de Barcelona
é um sol radiante, las puertas de Madrid ...
ou linda é Roma e vejo que você é mais
ainda mais linda que a chuva dos canaviais
Tem a beleza das pedras e dos animais
Leve, folha que o vento leva, jogo a minha vida ,
na linda promessa de ter seu amor..."



Escrito por Chris às 19h02
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MAIS DICAS LITERÁRIAS

CUPIDO (Babette Cole) - Cia. das Letrinhas - "Ninguém escapa das flechas do Cupido, elas acertam em cheio o seu coração sofrido. O amor é cego, dizem, e o CUpido, minha gente, um moleque muito impertinente."

Coleção da Nereide Schiaro Santa Rosa - Editora Moderna - Livros altamente recomendáveis da FNLIJ:

Usos e Costumes

Festas e Tradições

Religiões e Crenças

Lendas e Personagens

Brinquedos e Brincadeiras

MITOS DA CRIAÇÃO ( Zuleika de Almeida Prado) - Callis Editora.

Coleção "A arte ao redor do mundo" - Callis Editora:

No tempo de Michelangelo

No tempo de Renoir

No tempo de Picasso

No tempo de Warhol

A infância de Tarsila do Amaral (Carla Caruso) - Callis Editora.

SAM E OUTROS CONTOS DE ANIMAIS (Noah Gordon) - Rocco. (Belas ilustrações!!!)

 RUTH ROCHA E ANA MARIA MACHADO - 10 CLÁSSICOS INFANTIS (FTD)

Além do ABZ do Ziraldo e do Aurélio com a Turma da Mônica, foram lançados outros dicionários infantis, como o Caldas Aulete com as personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Curiosidade: esse é o dicionário que o Monteiro Lobato gostava de ler e decorar os verbetes.

Muito bons são os três volumes da Pippi Meia Longa, da Astrid Lindgren, pela Cia. das Letrinhas.

 

ERICA E A MONA LISA

ERICA E OS GIRASSÓIS

ERICA E OS IMPRESSIONISTAS

Têm o selo de altamente recomendáveis pela FNLIJ. Editora Moderna.

 

SÉRIE RETRATOS DO BRASIL

A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS (JOÃO DO RIO) - CRÔNICAS - Cia das Letras.

VOSSA INSOLÊNCIA (OLAVO BILAC) - CRÔNICAS - Cia das Letras.

Obs: há outros títulos já publicados.



Escrito por Chris às 18h54
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ALGUMAS DICAS LITERÁRIAS

MAUS - História completa (Art Spielgelman) - Vencedor do prêmio PULITZER. (quadrinhos sobre o nazismo) - Cia. das Letras.

PERSÉPOLIS (Marjane Satrar) - quadrinhos sobre o regime religioso-político do Irã.

Há uma ótima resenha na revista "Entre livros" nº 3. Cia. das Letras.

PROCURA-SE LOBO (Ana Maria Machado) - "Manuel Lobo tem uma missão importante: alertar o mundo sobre o risco de extinção dos lobos das florestas, dos desertos... Mas um anúncio malfeito atraiu uma série de lobos intrometidos tentando desviar o rumo da história. Alguns são lobos maus, assustadores de crianças, mas há também espertalhões e outros bem bobos. E até uns lobos bonzinhos. Felizmente, Manuel Lobo conhece essa turma toda..." Editora Ática

OI, EU SOU O CEBOLINHA/ OI, EU SOU A MÔNICA - Editora Globo. Livros em BRAILLE. Uma delícia tátil e visual!

A VIDA LITERÁRIA NO BRASIL - 1900 (Brito Broca) - José Olympio Editora. "Obra esgotadíssima, pois apenas se encontra em bibliotecas públicas ou nas estantes de bibliófilos" . Tive notícia de que a 4ª edição, recentemente lançada, já estaria também esgotada. Vale a pena dar uma procurada, para saber mais sobre os cafés do Rio, Bilac e o advento da Confeitaria Colombo, os marginais da literatura, Machado de Assis na Garnier e muitos outros temas interessantes.

A editora Moderna está com ótimas coleções de arte, além de livros como "Pintura - um guia para jovens artistas - produzido em parceria com a Royal Academy of Arts" (Farei um outro post para escrever sobre as coleções).

COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA (Christiane Gribel) - Salamandra. O livro se assemelha ao PEQUENO DICIONÁRIO ILUSTRADO DE EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS (Everton Ballardin e Marcelo Zocchio). A diferença é que este é especificamente dirigido às crianças, com ilustrações de Ivan Zigg.

LIVROS LINDOS (AINDA NÃO LIDOS):

Os Três Lobinhos e o Porco Mau (Eugene Trivizas) - Brinque-Book.

Histórias de um Pequeno Astronauta (Christiane Gribel)

O Prato Azul-Pombinho (Cora Coralina/Angela Lago)

Oxumarê (Reginaldo Prandi)

De letra em letra (Bartolomeu Campos de Queirós)

Saborosa viagem pelo Brasil - Limonada e sua turma em histórias e receitas a bordo do fogãozinho. (Frei Betto/ Maria Estella L. Christo)

A casa Rosa (Silvana Pinheiro Taets)

Ciganos (Bartolomeu C. de Queirós)

A Senhora Meier e o Melro (Wolf Erlbruch)



Escrito por Chris às 18h09
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NOVAS FOTOS NO "VÔO DO OLHAR", "FOCO, ABERTURA & VELOCIDADE" E "LARISSA FLORZINHA".



Escrito por Chris às 12h55
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A VERDADE, PORÉM, É QUE NINGUÉM SE LIVRA DE SUAS PRÓPRIAS LEMBRANÇAS, NEM DE VELHAS IDIOSSINCRASIAS, MALQURENÇAS E DESEJOS RECLACADOS. E, QUANDO SE TRATA DUM ROMANCISTA, ESSAS IMPUREZAS MAIS TARDE OU MAIS CEDO ACABAM APARECENDO NA FACE OU NA ALMA DE SUS PERSONAGENS.

ERICO VERISSIMO

Texto publicado no livro "Os segredos da ficção" (Raimundo Carrero)



Escrito por Chris às 16h26
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A revista Entre Livros fala da comemoração dos 150 anos do livro "Folhas de relva" de Walt Whitman, avô do movimento beat, dentre outras matérias de qualidade. A vontade é a de abandonar o trabalho e cair de olhos nessa revista literária e também na Bravo! (com a Clarice Lispector na capa).

Beats e marginais - As últimas escolas

1997 - Abril, 5. Os jornais anunciam, com um inesperado destaque, a morte do poeta Allen Ginsberg, na Califórnia, aos 70 anos.

1996 - O senhor de calva acentuada, camisa social branca e suspensórios, caneta no bolso da camisa, poderia ser confundido com algum executivo aposentado a posar ao lado de seu filho ou neto. Acontece que essa foto está na contracapa do belíssimo livro Illuminated Poems (Four Walls Eight Windows - NY) e o aparentemente bem comportado senhor é Allen Ginsberg, a lenda viva (ainda, à época) da Geração Beat. Apenas mais um truque zen budista de quem viveu/imitou a arte e a vida vertiginosamente. O mais moço? Eric Drooker, o também visionário e profeta, ilustrador voltado para a problemática urbana, 38 anos, quase a mesma idade do movimento que, em meados dos 50, abalou as até então bem comportadas estruturas literárias norte-americanas. Na esteira da mania beat, que assola os Estados Unidos e a Inglaterra, surgem a todo momento reedições críticas, fotobiografias e outros incontáveis estudos sobre a literatura, a arte e o comportamento beat.

Uma livraria alternativa, a Compendium Books, em Cadem Town, arredores de Londres, publicou no final do ano passado um catálogo com cerca de 350 títulos, só sobre literatura beat disponível em seu acervo, onde também podem ser encontrados números da revista Beat Scene, com mais de 25 números publicados, além de dezenas de gravações "piratas".

Seria esse revival uma represália ao "neobobismo", ou onda de puritanismo reacionário que surge em todo o planeta neste final de século? Vejamos os antecedentes históricos.

1955. A guerra fria, o macarthismo, a repressão, o tédio e a passividade marcavam a vida nos Estados Unidos da América. A grande dama da poesia americana, Marianne Moore, reinava absoluta, com sua poesia elegante e fria. Para os mais observadores, sinais de inconformismo no comportamento e nas artes já pipocavam aqui e ali há alguns anos. A Galeria Six de San Francisco, Califórnia, promove a 13 de outubro uma leitura histórica de poesia. Um poema escandaloso e delirante, que falava abertamente de drogas, sexo e homossexualismo, lido pelo seu jovem autor, fez o delírio da moçada: Howl, de Alen Ginsberg. Ficava, assim, decretado que a poesia do cotidiano estava incorporada ao cotidiano das pessoas.

Seis meses após a famosa leitura, esse poema era publicado pela Editora City Lights, apreendido logo a seguir, levando à prisão o seu editor, o também poeta beat Lawrence Ferlinghetti, que acabou sendo detido por obscenidade. Essa era a mínima punição que se podia esperar da repressora sociedade da época que, ao se ver refletida e acusada na poesia do jovem transgressor ("Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus") vingou-se, para não enlouquecer com ele. Como a confirmar isso, Ginsberg teria dito: "eu sou os Estados Unidos" e isso, naturalmente, incomoda.

No ano seguinte, Uivo é liberado e transforma-se num estrondoso sucesso. É, certamente, o poema mais lido deste século, representando o paradigma das aspirações da Geração Beat. No entanto, em meio a toda polêmica da época, Ginsberg era apontado pela revista Life como o mais interessante poeta jovem da América do Norte que, triste, acusava "América, como poderei escrever uma litania nesse seu estado de bobeira? (...) América na verdade você não quer ir à guerra".

Mas a Geração Beat não se fez com um poeta só. Prosadores igualmente rebeldes, como Jack Kerouac (a quem Ginsberg conhecera poucos anos antes) e William Burroughs que, por sua vez, era o guru de Kerouac e Ginsberg, formavam a santíssima trindade do movimento, ambos igualmente rebeldes, polêmicos e de vida desregrada. Ao sucesso de Howl, seguiu-se o de On the Road, de Kerouac, igualmente best seller, que passou a bíblia de todo mochileiro. Outros importantes nomes do movimento como Norman Mailer (o percursor), Gregory Corso, Diane Di Prima, Ray Bremser, e muitos outros foram publicados em português numa edição pioneira - a antologia Geração Beat - pela Editora Brasiliense em 1968, organizada pelo também beat Seymour Krim e traduzida por Marcello Corção. A primeira e única edição de Uivo no Brasil foi publicada somente em 1984 pela Editora L&PM (Uivo Kaddish e outros poemas), numa impecável tradução de Cláudio Willer, que também assina a igualmente competente introdução. Ambas as obras só podem ser encontradas em sebos, pois não foram reeditadas. A Editora L&PM é a responsável pela publicação da escassa bibliografia beat existente entre nós, com alguns títulos ainda em catálogo.

O movimento desencadearia a contracultura dos anos sessenta, da qual Ginsberg foi um dos líderes. O exercício da contracultura, por sua vez, desembocaria, numa prática de subversão política, com a repulsa à guerra no Vietnan e ao próprio way of life americano que acabou marcando uma era de revolta pacífica, através de grandes manifestações "hippies", ou geração "flower power", termo cunhado pelo próprio Ginsberg.

Contrariando a contumaz rejeição da crítica, a obra de Ginsberg, Kerouac e Bourroughs, principais figuras do movimento, acabou provando que essa literatura não poderia sobreviver se se sustentasse apenas nos frágeis pilares baseados na própria conduta pessoal de seus autores. Mostrou também que os (muitas vezes condenáveis) excessos de conduta de seus membros não eram a sua única matéria-prima. Foi além. Não apenas introduziu o cotidiano e a realidade no seu discurso, mas pensou e modificou a própria poesia, inspirado em vertentes como Walt Whitman e William Blake e até Pound.

Como se sabe, a repercussão dessa revolução foi mundial e, do Japão à Rússia, ainda podem ser observados os seus ecos. No Brasil, apesar do comportamento dos jovens à época da contracultura ser uma pálida cópia dos hippies americanos e, a despeito de ter-se lido muito pouco em português a principal literatura do auge do movimento, aconteceu, na poesia, um movimento que se assemelha, em alguns aspectos, à Geração Beat, a chamada Geração Marginal.

(ensaio publicado na revista literária A Cigarra, no. 30, Santo André, SP, maio 1997)




Escrito por Chris às 16h17
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CONTINUAÇÃO DO POST SOBRE A GERAÇÃO BEAT (O UOL BARROU A PUBLICAÇÃO NA ÍNTEGRA, EM VIRTUDE DO EXCESSO DE CARACTERES)

O Brasil pós 64 guardava muitas semelhanças com a América de 56. A repressão política obrigou os poetas a assumir um discurso que, na sua irreverência, também refletia sua conduta pessoal. Ambos, beats e marginais, viviam à margem do sistema e criticavam o seu status quo, numa luta ferrenha contra a censura. Aqui, como lá, também o cotidiano e o coloquialismo foram incorporados à poesia, só que, no Brasil, isso aconteceu de uma maneira muito mais apropriada ao nosso espírito tropical: com alegria e irreverente ironia. A poesia, em ambos os casos, foi levada ao cotidiano das pessoas, através de recitais e, sobretudo, com a venda de livros e folhetos de mão-em-mão.

Essas publicações também circulavam freneticamente via correio. A princípio mimeografadas, depois copiadas via Xerox, e posteriormente em off-set, atingiram números impressionantes. Leila Miccolis, estudiosa do assunto, chegou a listar 800 títulos num único ano. Outra semelhança: muitos dos poetas mais representativos de ambas as gerações também estiveram ligados à música. Os beats grandemente influenciados pelo jazz (Charlie Parker e o jazz bop) e os marginais em parceria com músicos da MPB (tropicália) e, depois, também o rock, fator que em muito os ajudou na difusão de sua obra poética.

E, finalmente, mas não menos importante, é a resistência passiva qu, de uma forma ou de outra,representou uma verdadeira trincheira contra a massificação da indústria cultural. A Cigarra é um exemplo dessa resistência que, ao contrário de muitas outras publicações, teve o bom senso e a consciência da evolução, renovando-se, antenada com a produção do momento, dosando-a com a obra de poetas já consagrados.

Beats, beatnicks, hipsters, marginais ou poetas do sufoco foram/são, na verdade, os últimos poetas a se engajarem em movimentos literários do século. O futuro certamente prescindirá de rótulos, escolas ou classificações. Tanto isso é verdade, que o profeta-rebelde, aquele das grossas lentes, que às vezes se disfarçava em comportado senhor, assim respondeu à pergunta do que seria poesia: é nudez. Ã segunda pergunta do porque da nudez, ele, simplesmente, ficou nu. Impossível prova mais eloqüente de não-filiação a nada.

Portanto, a maior e mais clara herança deixada por esses "mal vistos" é justamente a liberdade de criação, o distanciamento de dogmas e a própria atitude poética. "O método deve ser a mais pura carne/e nada de molho simbólico" como profetizou Ginsberg.




Escrito por Chris às 14h02
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UM ÉPICO DO CAJU AO RECREIO

A cena não me sai da memória, como se eu
estivesse participando de um filme épico,
percorrendo lugares ermos, buscando um sinal que
lembrasse-me a civilização.
Era como se eu estivesse nos países mais pobres da
Africa ou da Asia. Mais estava no Brasil,
numa viagem de ônibus que vai do Caju
ao Recreio dos bandeirantes,
via Avenida Brasil.
O trajeto abunda em outtdoors, indústrias,
comércios variados, favelas, muita pobreza no ar,
o que já deprime.
Mais um fato que chamou-me a atenção sobremaneira
foi que
até chegar-se ao Barra Shopping, em mais de hora
de viagem, olhando pela janela do ônibus,
tentando entender aquelas paisagens amorfas,
não se avista uma livraria sequer.
Fiquei pensando na violência, nas relações
genéricas
de um país continental que não cultua
livros como gênero de primeira necessidade.
Como se relaciona a população sem leitura?
Como pensar um povo sem cultura?
Que futuro pode haver?
descobri a pólvora nesse dia:
falta cultura de livros no Brasil.
Ou seja, o livro precisa ser descoberto.
A população simplesmente não sabe que através
do conhecimento poderia sanar parte de seus
problemas. Não se relaciona livro com poder
e dinheiro,
curioso... Assim que a informação
passou a ser meramente decorativa,
com "bacharéis" sem literatura,
daí a péssima qualidade do funcionalismo
e das trocas sociais em geral,
incluindo um comércio cego e imediatista,
religiões pitorescas,
e a vida vazia do faz de conta do vídeo,
com indivíduos abaixo da crítica, doentes.
Monteiro lobato ,
"descobridor do petróleo no país",
provavelmente com senso livresco,
dizia que um país se faz com Homens e livros.
Eu diria que os homens se fazem com livros
ou valores, pois são essas qualidades que
alçam a humanidade acima do reino animal.
Mais livros e se teria mais disciplina,
menos violência, se gastaria menos em drogas
e jogos, diminuiria a gravidez prolixa de pobres e
adolescentes.
Livro ensinaria a lei da consequência
e a descoberta do outro.
O livro é uma ponte entre o humano e o divino.
Ou será que se pode pensar a humanidade
sem livros? Eu diria até que certos homens
são dispensáveis; livros, não.
Aqui está a pólvora do mal brasileiro:
pensa-se ser possível chegar a algum lugar
sem informação.
Onde fica esse lugar mesmo?
Aliás, o que é lugar?
Quem quiser descobrir um país ( ou inventá-lo )
tem que começar pelos livros.
A falta de cultura é que engendra todos os males
no país da minha mãe.


04/05/2005

 Marcelino Rodriguez



Escrito por Chris às 12h23
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